Segunda-feira, 13 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de julho de 2026
Cotada para vice do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e coordenadora da agenda econômica do senador, a administradora Daniella Marques diz não gostar do rótulo “Paulo Guedes de saia”, que tem sido citado nos bastidores da campanha. Auxiliar do ex-ministro da Economia, ela defende o legado do governo Bolsonaro, mas evita se comprometer com conceitos como o DDD (Desvincular, Desindexar e Desobrigar o orçamento). Também se mostra mais cautelosa do que o seu ex-chefe ao indicar o caminho que uma eventual nova gestão da oposição deve percorrer para ajustar as contas públicas: uma redução de gastos da ordem de 1,5% do PIB.
Confira trechos da entrevista:
Qual será a proposta fiscal de Flávio Bolsonaro?
O arcabouço fiscal virou uma peça de ficção. Temos conversado sobre alguma instância de governança, um conselho superior, para o qual traremos os outros Poderes para o debate orçamentário. Hoje, temos os três Poderes ordenando despesas e só um controlando, que é o Executivo. O Congresso e o Judiciário têm a própria pauta de expansão de gastos. A boa vontade técnica, muitas vezes, não tem respaldo político. Acho que vai ter que ter um pilar de diálogo e uma instância de governança, para os quais traremos uma corresponsabilidade. Vão ter que ser partícipes da solução, e não do problema.
E qual será a âncora fiscal: teto de gastos ou de dívida?
Não está definida. Estamos integrando ideias ainda. Mas necessariamente envolve algum mecanismo de controle da trajetória (de dívida), revisão dos gastos, principalmente privilégios e gastos tributários, reestruturação dos ativos da União, modernização e choque de gestão da estrutura administrativa do governo. Tem um estudo que foi feito que mostra que (uma redução de despesa) de 1,5% do PIB seria suficiente para retomar a confiança e uma parte do ajuste ser feita pela própria trajetória de ancoragem das expectativas.
As pessoas te chamam de “Paulo Guedes de saia” na campanha. Pretende retomar a ideia do ex-ministro da Economia de desvincular, desindexar e desobrigar o orçamento, que não avançou?
Não, não gosto (de ser chamada de Paulo Guedes de saia). Eu sou eu, sou Dani. Os meus talentos são complementares aos dele. O Paulo é um economista visionário, e eu sou uma financista que tinha uma vocação complementar à dele. Meu papel hoje é muito mais de execução do que de formulação, mas eu acho que tivemos uma pandemia para enfrentar, o que comprometeu parte da agenda de reformas. Mas, ainda assim, quando olho para trás, existe um legado inquestionável. Agora, o Lula está gastando como se estivesse enfrentando uma pandemia para tentar se reeleger. É dramático.
Onde estariam os primeiros cortes de gastos? Algum programa social?
De forma alguma. Os gastos com assistência social não chegam a um terço da despesa com juros hoje. O que precisa é um governo que tenha credibilidade e controle a trajetória da dívida. Estamos focados não só em prover assistência, mas em tirar as pessoas dessa situação permanente de pobreza. Hoje, as pessoas querem abrir o próprio negócio. Essas pessoas precisam de menos burocracia e mais facilidade. Sobre os cortes, onde seriam feitos, vou ter que dialogar com o Congresso. Há uma série de penduricalhos, de privilégios, gastos tributários, um desperdício gigantesco de recursos em ativos da União, 44 estatais.
Na hipótese de ser convidada para ser vice, a senhora aceitaria?
É o Flávio que decide. Meu espírito é contribuir para o projeto sob a liderança dele. O Flávio citou meu nome publicamente. Não estou preocupada com cargo, com posição.
A senhora disse que a crise entre Flávio e Michelle já é “página virada”. Para quem?
Quando eu disse “página virada”, são os números da pesquisa. O que a pesquisa diz é que a página está virada para o Brasil. Temos um objetivo muito maior que é resgatar o Brasil das mãos do PT, objetivo que a própria Michelle compartilha. Estamos na mesma linha.
A senhora trabalhou com Paulo Guedes, que teve divergências com Rogério Marinho no governo Bolsonaro. Como é essa relação hoje?
Tenho uma relação extraordinária com ele (Marinho), muito respeitosa. Trabalhamos intensamente juntos na reforma da Previdência. Ninguém ganha jogo sozinho e acho que o Rogério é uma liderança extraordinária. Com informações do portal O Globo.