Sexta-feira, 06 de Fevereiro de 2026

Home Saúde Crescem casos de câncer de pâncreas em adultos com menos de 50 anos

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As mortes recentes da atriz Titina Medeiros, aos 48 anos, e do jornalista André Miceli, aos 46, ambas por câncer de pâncreas, reacenderam o debate sobre um fenômeno que vem sendo observado por pesquisadores em diferentes países: o aumento da incidência desse tipo de tumor entre adultos com menos de 50 anos.

Tradicionalmente associado ao envelhecimento, o câncer de pâncreas ainda é mais comum a partir dos 60 anos. No Brasil, responde por cerca de 1% de todos os tumores diagnosticados e por aproximadamente 5% das mortes por câncer. A estimativa é de cerca de 11 mil novos casos no país neste ano.

Apesar disso, dados recentes indicam uma mudança gradual no perfil dos pacientes. Nos Estados Unidos, estudos apontam crescimento anual em torno de 1% nos diagnósticos em pessoas com menos de 45 anos. Estimativas sugerem que até 5% dos casos já ocorrem antes dos 50 anos. Em faixas etárias ainda mais jovens, como entre 15 e 34 anos, o aumento proporcional chama atenção, embora os números absolutos continuem baixos.

No Brasil, informações do Globocan 2022, compiladas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), indicam que cerca de 5,8% dos casos de câncer de pâncreas são diagnosticados antes dos 50 anos. A proporção é pequena, mas suficiente para despertar alerta entre especialistas.

A principal explicação para essa tendência ainda não é completamente conhecida. O consenso atual é que se trata de uma doença multifatorial, associada a fatores de risco que vêm se tornando mais comuns em idades precoces, como obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, tabagismo, diabetes e histórico familiar. O padrão lembra o observado no câncer colorretal, que também vem apresentando crescimento entre adultos jovens.

Outra mudança identificada em pesquisas recentes é o aumento da participação feminina entre os casos diagnosticados. Estudos nacionais mostram que, ao longo das últimas duas décadas, a proporção de mulheres com câncer de pâncreas se aproximou da dos homens, tendência semelhante à observada em países desenvolvidos.

Além dos fatores ambientais e comportamentais, a genética tem papel relevante. Estima-se que de 10% a 15% dos casos estejam relacionados a síndromes hereditárias. Em pacientes mais jovens, a investigação genética costuma ser recomendada, especialmente quando há histórico familiar da doença.

O diagnóstico precoce continua sendo um dos principais desafios. O pâncreas é um órgão profundo, e os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, como dor abdominal difusa, dor nas costas, perda de peso e desconfortos que podem ser confundidos com problemas digestivos ou musculares. Em muitos casos, a doença só é identificada em estágios avançados.

Atualmente, não existe exame de rastreamento eficaz para a população geral. A vigilância é indicada apenas para grupos de maior risco, como pessoas com síndromes genéticas, histórico familiar relevante, pancreatite crônica ou cistos pancreáticos com potencial de malignização.

Um sinal de alerta adicional é o surgimento recente de diabetes. Estudos indicam que uma parcela significativa dos pacientes desenvolve a doença pouco antes do diagnóstico do câncer de pâncreas, especialmente quando associada à perda de peso sem causa aparente.

No tratamento, os avanços ainda são limitados, sobretudo no adenocarcinoma pancreático, responsável por cerca de 90% dos casos e conhecido pelo comportamento agressivo e pela alta taxa de mortalidade.

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