Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026

Home Política Críticas à saída de Flávio para os Estados Unidos superam a defesa do senador nas redes sociais

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A ida de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos dois dias após ser derrotado nas eleições ao Planalto provocou mais críticas do que apoio nas redes sociais. É o que mostra levantamento realizado pela pesquisadora e professora da FGV/EAESP, Lilian Carvalho, especialista em social listening e sócia-fundadora da DigiSales Group.

O caso gerou 471 mil menções nas redes sociais entre 26 e 28 de outubro. Nas manifestações com posicionamento político definido, 60% condenaram o senador. Outras 40% apoiaram sua saída do Brasil ou criticaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela decisão que determinou a entrega do passaporte do bolsonarista.

Os dados mostram que a expressão “fuga de Flávio Bolsonaro” registrou 48 mil menções, contra 25 mil referências à “perseguição política”. O termo “covarde” apareceu 21 mil vezes, enquanto a expressão “7 minutos”, relacionada ao intervalo entre a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o pedido de apreensão do passaporte do senador, somou 20 mil menções.

“Essa escolha de palavras também revela como cada grupo tenta impor sua interpretação dos fatos. ‘Fuga’ prevaleceu sobre ‘exílio’ porque um dos lados conseguiu mobilizar mais usuários e fazer sua leitura circular com maior intensidade. Isso ajuda a entender o ambiente político, mas diz pouco, por si só, sobre a opinião dos milhões de brasileiros que votaram”, avalia Carvalho.

A pesquisadora pondera, entretanto, que o volume de publicações “pode dar a impressão de uma diferença muito maior entre os lados do que aquela que existe na opinião pública”. Ela avalia que o cenário não permite concluir que a maioria da população compartilha da posição predominante nas redes.

Entre as 20 publicações mais compartilhadas no período, 15 condenavam o senador, três o defendiam e duas apenas informavam sobre o caso. A pesquisa foi feita a partir de dados monitorados pela plataforma Brandwatch. Além do quantitativo numérico, o levantamento identificou diferenças na forma como o campo bolsonarista e governista abordaram o episódio.

As manifestações críticas combinaram ironias e ataques pessoais à Flávio. Não faltaram cobranças institucionais, como pedidos de perda de mandato e bloqueio de bens. Os posts favoráveis ao bolsonarista, por outro lado, apostam em questionamentos sobre o momento da decisão judicial e críticas a Moraes.

Trajetória

O governo argentino informou na madrugada que Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguázu, na província argentina de Missiones. O senador entrou na Argentina usando o passaporte italiano.

De lá, embarcou em um jatinho rumo a Guayaquill. Já no Equador, decolou às 6h22, no horário de Brasília, com destino ao aeroporto Opa Locka, um terminal executivo no condado de Miami-Dade. O bolsonarista chegou aos Estados Unidos nesta manhã, às 10h24.

Flávio teve os passaportes cancelados por decisão de Moraes, a pedido da Polícia Federal (PF), que alegava risco de fuga no curso das investigações a que o bolsonarista responde. Ele descumpriu a decisão e não entregou os documentos no prazo determinado. (Com informações do jornal O Globo)

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