Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026

Home Política Dark Horse: Polícia Federal indica que documentos foram manipulados após operação

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A PF (Polícia Federal) indicou que houve indícios de manipulação de documentos após a Operação WiFi Livre, da Polícia Civil do Estado de São Paulo, deflagrada em junho deste ano. A investigação mirou o Instituto Conhecer Brasil, de Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up, responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).

A informação consta na decisão de Flávio Dino, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a operação da PF realizada nesta quinta-feira (10). Um dos alvos foi o deputado federal Mario Frias (PL-SP).

“Os indícios de manipulação documental surgiram justamente após a deflagração da operação policial e durante o desenvolvimento das atividades de auditoria, revelando dinâmica investigativa em evolução e sugerindo a existência de comunicações, arquivos eletrônicos, versões de documentos, registros de edição e armazenamentos em nuvem produzidos posteriormente à primeira diligência. Em outras palavras, parte relevante da prova procurada sequer existia ou não era conhecida quando da busca realizada em junho de 2026”, diz trecho do despacho.

Dinheiro 

A Polícia Federal suspeita que pelo menos R$ 750 mil provenientes de recursos públicos foram desviados para abastecer uma produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações foram apresentadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino para fundamentar a operação deflagrada nesta quinta-feira contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros alvos suspeitos de envolvimento nos desvios.

Inicialmente, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou publicamente que todos os recursos para o filme foram privados, na mesma época em que admitiu ter pedido dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro com o objetivo de bancar o projeto. As suspeitas da PF, porém, indicam que o filme pode também ter se beneficiado de desvios de recursos públicos.

Essa operação teve como foco os repasses de emendas e recursos públicos a empresas ligadas à produtora do filme. Flávio Bolsonaro e seu pedido a Vorcaro estão sob investigação em um outro inquérito, sob relatoria de André Mendonça no caso Master.

A PF diz que o ICB (Instituto Conhecer Brasil) é a principal entidade captadora de recursos da rede investigada, porque firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo e recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares de Mario Frias. O instituto pertence a Karina Gama, que também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme sobre Bolsonaro.

De acordo com as investigações, o ICB movimentou R$ 83 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2024. Parte desses recursos foram repassados para pessoas ligadas ao próprio Mario Frias, em um processo que a PF vê como uma devolução de recursos públicos investigados.

A investigação analisou parte do caminho do dinheiro até o “Dark Horse” ao detectar que o ICB fez pagamentos a duas editoras ligadas a uma terceira empresa que repassou valores à produtora Go Up.

“Tais fatos se tornam relevantes na medida em que, no mesmo período, a NTT Brasil de Heric Dias enviou R$ 750.000,00 para a Go Up Entertainment, valor quase que exatamente correspondente aos R$ 700.000,00 que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial, receberam do ICB no escopo do Termo de Fomento n.º 971232, cujo objeto somente veio a ter tentativas de execução em 2026, portanto, após o período ora tratado”, diz a PF.

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