Sábado, 05 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de setembro de 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Banco Master, tornou público nesta semana um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Em reação, Moraes pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a investigação de Mendonça por sua atuação na condução das operações. Entenda a crise em sete pontos.
* Mendonça derruba sigilo de relatório da PF
Na terça-feira (1º), Mendonça derrubou o sigilo de um relatório da PF com mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. A decisão ocorreu após o Estadão revelar conversas nas quais o banqueiro pedia ao ministro que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter as investigações sobre o Banco Master.
As mensagens foram enviadas entre 4 e 17 de novembro de 2025, antes da primeira prisão de Vorcaro, e extraídas de seu celular, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero. Como estavam em formato de visualização única, por capturas de tela, a investigação teve acesso apenas ao conteúdo enviado pelo banqueiro, sem recuperar as respostas de Moraes.
Mendonça afirmou que os novos elementos precisam ser analisados pelo plenário do STF de forma pública e transparente.
* Pedido de investigação contra Mendonça
Na quinta-feira (3), Moraes pediu a Fachin a investigação de Mendonça pela atuação nas Operações Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, e Compliance Zero, sobre o Banco Master.
Moraes utilizou o inquérito das fake news, do qual é relator, para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. O inquérito é alvo de críticas por durar mais de sete anos e abranger diferentes temas.
* Argumentos de Moraes
Moraes afirma haver indícios de irregularidades e eventual favorecimento de grupos políticos. Entre as condutas atribuídas a Mendonça estão a suposta usurpação da direção das investigações, com prejuízos à cadeia de custódia e à produção de provas; a condução irregular de tratativas de eventual colaboração premiada; e o direcionamento de alvos, como Moraes e o senador Davi Alcolumbre, por motivos pessoais e políticos.
Em petição de 20 páginas, Moraes citou relatório de inteligência da PF que, segundo ele, “não tem valor probatório”. O documento aponta que Mendonça “denota interesse no início de investigação formal” contra Moraes e que o ministro “solicitou mais de uma vez que a equipe de investigação encaminhasse alguma provocação a ele nesse sentido”.
* Fachin determina manifestações
Fachin determinou que Moraes e Mendonça se manifestem em cinco dias úteis sobre a crise. O PGR Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também deverão se manifestar.
“Cabe à Presidência do tribunal zelar para que a possível apreciação colegiada seja feita, a tempo e modo, com o elevado senso de responsabilidade que os fatos reclamam, sempre assegurando o respeito às garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório”, disse Fachin.
* Pedido sai do inquérito das fake news
Nessa sexta-feira (4), Fachin retirou o pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das fake news e o incluiu em uma petição aberta para esclarecer indícios encontrados pela PF contra Moraes após a divulgação das mensagens com Vorcaro.
A PGR terá cinco dias para analisar o pedido. Depois, Mendonça terá o mesmo prazo para se manifestar, antes de Fachin decidir.
* Repercussão política
O pedido de Moraes provocou reações de parlamentares. Rogério Marinho (PL), Sóstenes Cavalcante (PL), Eduardo Girão (Novo) e Carlos Viana (PSD) defenderam Mendonça e criticaram Moraes.
Na base governista, as manifestações se concentraram nas relações do Banco Master com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sem citar diretamente a iniciativa de Moraes.
* Lula e presidenciáveis se manifestam
Na quinta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou no X que o “escândalo do Banco Master” é o “maior roubo da história do Brasil”. Lula destacou que a prisão de Vorcaro ocorreu em seu governo e disse que a “democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”.
O presidente pediu que Fachin e a PGR “liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”. “Fica claro que nossos sistemas político e judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, declarou.
Flávio Bolsonaro (PL) defendeu o impeachment de Moraes: “Não dá mais. Alexandre de Moraes não tem mais condições para permanecer no Supremo Tribunal Federal”. Augusto Cury (Avente) afirmou que Moraes “tem que provar que não deve”.
Ronaldo Caiado (PSD) defendeu o “afastamento imediato” de Moraes e afirmou: “Isso é de uma gravidade fora de qualquer limite aceitável e possível à permanência do ministro Alexandre de Moraes nos quadros do Supremo Tribunal Federal”. Romeu Zema (Novo) declarou que o Senado está “acovardado” diante do caso. (Com informações de O Estado de S. Paulo)