Segunda-feira, 12 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de outubro de 2026
Depois da resistência injustificável no primeiro turno da eleição, é bem-vinda a disposição dos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de participar de debates nesta segunda — e decisiva — etapa da disputa à Presidência. Numa eleição acirrada, em que Flávio chegou à frente do atual presidente por menos de 2 pontos percentuais, ou pouco mais de 2,2 milhões de votos, o confronto de ideias se torna fundamental para marcar diferenças e permitir ao eleitor fazer sua escolha de forma sensata e informada.
Candidatos e suas campanhas costumam fazer cálculos de perdas e ganhos eleitorais para decidir se participam de debates. Tem sido comum que líderes nas pesquisas se ausentem, por temer perder a dianteira ao se tornar alvos fáceis dos concorrentes. No primeiro turno não houve debates entre os dois líderes nas pesquisas.
Na última segunda-feira, porém, Lula afirmou que “agora sim” é importante participar. “É um contra um, é cada um poder explicar qual é o debate”, disse. Flávio também prometeu comparecer: “É o que eu sempre quis, quero comparar os programas de governo, quero comparar os governos do Lula com o nosso”. Há debates entre os dois agendados pela Band (dia 18) e pela TV Globo (dia 23, após o Jornal Nacional). Na Globo, ambos também deverão participar de entrevistas nos dias 15 (Lula) e 16 (Flávio).
Tem sido frequente que candidatos prefiram longas conversas com youtubers, podcasters ou influenciadores camaradas, que gerem “cortes” para as redes sociais. Também contam com o horário eleitoral para apresentar suas propostas. Mas tudo isso é propaganda política, não um debate de ideias conduzido segundo padrões jornalísticos e regras equilibradas. E a propaganda só trata dos temas que lhes interessam, passando ao largo das questões que interessam ao eleitor. Apenas o jornalismo profissional tem a competência e a independência necessárias para fazer os questionamentos incômodos. Postulantes são confrontados por jornalistas e adversários sobre temas concretos, abrindo espaço ao contraditório. É disso que o eleitor precisa para se informar. Faltar aos debates é, portanto, um desrespeito ao direito do eleitor à informação.
Na campanha do primeiro turno, Flávio e Lula erraram ao privar os brasileiros de assistir a um confronto de suas ideias. É importante que o eleitor conheça as diferenças entre os dois. Assuntos de interesse público nem sempre têm sido tratados de modo satisfatório pelas campanhas. É o caso da sufocante situação fiscal, da violência inflamada pelas facções criminosas, das filas do sistema de saúde ou da educação sofrível oferecida nas escolas públicas. Apenas debates conduzidos pelo jornalismo profissional de forma equilibrada, com regras claras, podem informar a sociedade de modo fidedigno e competente. Historicamente, eles têm funcionado como guia para o voto do cidadão. Flávio e Lula têm agora a oportunidade de corrigir o erro anterior. Espera-se que mantenham a palavra. (Com informações do portal O Globo)