Domingo, 27 de Setembro de 2026

Home Eleições 2026 Decisão de Lula de proibir empresas de apostas amplia disputa por eleitor endividado e rivais atacam medida “eleitoreira”

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) voltaram a mirar o mercado de apostas on-line e o combate ao endividamento das famílias como uma estratégia para atrair eleitores na reta final da campanha. Enquanto o petista anunciou uma medida provisória proibindo a atividade das bets — em uma guinada na política de seu governo para o tema a nove dias do primeiro turno e de olho principalmente no eleitorado feminino —, o candidato do PL acusou seu principal concorrente de ter permitido a expansão do setor e agora tentar revertê-la às vésperas da eleição. Flávio chegou a chamar Lula de “Pai do Tigrinho”, em referência ao jogo de cassino on-line.

Além da MP para proibir as apostas e jogos on-line no país, que precisará do aval do Congresso para seguir valendo, Lula apresentará um projeto de lei para criminalizar as bets e seus operadores. O presidente anunciou ainda o Desenrola 3.0, nova versão do programa de renegociação de débitos que agora terá foco em dívidas antigas.

Metas e críticas

O petista decidiu acabar com a atividade das bets para se aproximar de eleitores de centro e de mulheres evangélicas, este último segmento mais próximo do candidato do PL. Além disso, a percepção é que essa medida poderá atrair eleitores que hoje estão indecisos. Levantamentos internos da campanha identificaram que mulheres moradoras do Sudeste são as que mais sofrem com as bets (mães solos ou que têm parceiros viciados no jogo) e que a medida terá respaldo junto a esse segmento.

Flávio reagiu ao pacote de Lula. Ao participar ontem de uma formatura de praças da Polícia Militar do Rio, na Zona Oeste da capital fluminense, sua principal estratégia foi responsabilizar o petista pela expansão dos jogos on-line. Depois, em pronunciamento pelas redes sociais, o presidenciável se colocou como contrário às empresas de apostas, mas acusou Lula de cometer “um estelionato” e disse que a MP pode perder a validade depois de passado o período eleitoral.

— Lula tem dois filhos que fizeram muito mal ao Brasil: o Lulinha e o Tigrinho. É mais uma vez uma atitude populista, hipócrita, eleitoreira. Ninguém garante que, depois da eleição, ele libere tudo de novo, porque está jogando tudo nas eleições — disse o senador no Rio, citando o filho do petista, Fábio Luís Lula da Silva, investigado por tráfico de influência, tema que tem gerado desgaste à campanha de Lula.

A mesma acusação de “pai do Tigrinho” foi levada à propaganda eleitoral de Flávio, o que fez com que a coligação de Lula entrasse com uma ação pedindo direito de resposta, multa e suspensão do material.

Questionado se também proibiria as bets esportivas, o candidato do PL sugeriu uma espécie de meio-termo para o mercado, posicionando-se a favor de apostas esportivas, mas não para cassinos virtuais. Ele prometeu acabar com o “Tigrinho”, mas não assumiu o compromisso de vetar as apostas em resultados dos jogos e suas variantes, como placar da partida, número de cartões, entre outras possibilidades.

— Sempre fui contra os jogos. Uma coisa é você permitir que brasileiros, por livre e espontânea vontade, possam apostar em jogos que são reais, em jogo de futebol. E mesmo assim tem questionamento. O que Lula permitiu foi a legalização do cassino on-line, do “Jogo do Tigrinho” — disse

A distinção feita por Flávio foi criticada esta semana por outro concorrente, Ronaldo Caiado (PSD). O ex-governador de Goiás disse que proibir um modelo e permitir o outro seria o mesmo que “trancar a porta da frente e deixar a janela da casa aberta para o assaltante”, porque, “no fim do mês, o dinheiro do trabalhador vai embora do mesmo jeito”.

O plano de governo de Caiado, protocolado na Justiça Eleitoral, contudo, não prevê o banimento das plataformas. Falava apenas em “regulamentar e endurecer as regras, com máximo rigor, dos jogos e das apostas on-line”, alertando para a lavagem de dinheiro do crime organizado, e em vetar a publicidade em veículos de comunicação e nas redes sociais. O candidato foi procurado e não se pronunciou sobre o veto do governo.

O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) disse que esses aplicativos geram “dependência grave” pelo seu efeito emocional “rápido e curto”:

— Precisamos terminar com as bets ou taxá-las de maneira concreta, grande. Elas têm que ser taxadas e, de fato, não podemos aceitar milhões e milhões de pessoas asfixiadas pela dependência psicológica das bets.

O entorno de Zema avaliou o anúncio feito pelo petista a nove dias da eleição como “eleitoreiro”. Na largada da campanha, Zema também tentou encampar o “fim das bets” como lema. Já Renan Santos (Missão) não se manifestou. O ativista do MBL vem defendendo desde agosto a “destruição das bets”. (Com informações do portal O Globo)

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