Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026

Home Política Delegado William Marcel Murad assume interinamente a direção-geral da Polícia Federal

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O diretor-executivo da Polícia Federal (PF), William Marcel Murad, assumiu o cargo de diretor-geral em exercício da corporação após a oficialização dos afastamentos preventivos de Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Costa. Os dois foram notificados no início da tarde dessa terça-feira (8) sobre a decisão liminar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com a entrega das intimações judiciais, Murad passou a responder pelo comando da PF. Andrei Rodrigues era diretor-geral da corporação, enquanto Leandro Almada ocupava a diretoria de inteligência policial.

A mudança formaliza a transição planejada pela cúpula da instituição para evitar um intervalo no comando da Polícia Federal. Os mandados de notificação foram cumpridos após a decisão de Mendonça, expedida nas primeiras horas desta terça-feira.

Perfil

Delegado de carreira da Polícia Federal desde 2002, William Marcel Murad formou-se em primeiro lugar no Curso de Formação Profissional daquele ano. Graduado em direito pela Universidade de São Paulo (USP), possui trajetória nas áreas de inteligência, tecnologia e segurança pública, além de experiência internacional.

Antes de assumir a diretoria-executiva, em janeiro de 2025, Murad foi adido da PF no Reino Unido, entre 2021 e 2024, e comandou a Diretoria de Tecnologia da Informação e Inovação da instituição.

Com especialização na área de inteligência, teve formação complementar na Academia Nacional do FBI, nos Estados Unidos, e em inteligência antidrogas no Peru. Também coordenou a operação de inteligência de segurança pública durante os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, e participou da coordenação do Centro Integrado de Comando e Controle na Copa do Mundo de 2014.

Ao longo da carreira, Murad ainda chefiou delegacias responsáveis pela repressão a crimes fazendários, tráfico de entorpecentes e organizações criminosas no Nordeste e em São Paulo.

Transição

Andrei Rodrigues e Leandro Almada já aguardavam a chegada dos oficiais de Justiça para a formalização dos afastamentos. Segundo informações obtidas anteriormente de fontes da corporação, a transmissão do comando para Murad dependia da ciência oficial da decisão judicial.

Com a mudança, a PF deverá cumprir as determinações estabelecidas por Mendonça. Entre elas estão a instauração, pela Corregedoria da corporação, de inquéritos de natureza penal e procedimentos administrativo-disciplinares para apurar as circunstâncias relacionadas à produção dos relatórios de inteligência sob suspeita.

A decisão também determina a suspensão de atividades de produção, elaboração ou compartilhamento, inclusive interno, de relatórios de inteligência destinados a analisar atos funcionais de magistrados, integrantes da advocacia pública ou membros da polícia judiciária.

Crise

O afastamento dos dois dirigentes ocorreu após a revelação de seis relatórios de inteligência produzidos pela PF em agosto. Segundo os documentos, o ministro relator do STF e o advogado-geral da União, Jorge Messias, teriam sido submetidos a um “monitoramento sistemático” e a uma “coleta dirigida” de informações por mais de 30 dias pela área de inteligência da corporação.

Mendonça classificou os relatórios como “apócrifos”, sem validade jurídica e característicos de uma prática de “arapongagem institucional”, com desvio de finalidade.

O governo federal prepara uma ofensiva no STF, segundo o blog da jornalista Andreia Sadi, sob o argumento de que a decisão monocrática de afastar o diretor-geral da PF violaria a competência privativa da Presidência da República para escolher e nomear o comando da corporação.

O referendo da decisão na Segunda Turma virtual do STF chegou a registrar maioria de 3 votos a 0 pela manutenção dos afastamentos, com votos de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. A sessão extraordinária, porém, foi suspensa após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Apesar da interrupção do julgamento colegiado, a liminar de Mendonça permanece em vigor. Com isso, os afastamentos foram efetivados e William Murad passou a exercer interinamente o comando da Polícia Federal. (Com informações do portal de notícias g1)

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