Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de setembro de 2026
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF) de Leandro Almada da diretoria de Inteligência Policial. A Segunda Turma do Supremo formou maioria para manter a decisão, mas Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu o julgamento.
Andrei
Andrei Rodrigues tomou posse da direção-geral da PF em 10 de janeiro de 2023. Ele foi anunciado para o cargo em 9 de dezembro de 2022 pelo então ministro da Justiça, Flávio Dino, atualmente ministro do STF.
Natural de Pelotas (RS), é formado em direito pela UFPEL e construiu uma carreira na PF ao longo de ao menos 20 anos. Dentro da corporação, ocupou cargos de relevância, como chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes em Manaus, da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Porto Alegre e da unidade do Aeroporto Internacional de Brasília. Atuou como oficial de ligação da corporação em Madri, na Espanha.
Andrei foi chefe de segurança de Dilma Rousseff e Lula. Ele coordenou a segurança da ex-presidente da República durante as eleições de 2010, quando ela foi eleita para seu primeiro mandato. Em 2022, assumiu a mesma função na campanha presidencial de Lula (PT) e assumiu a diretoria da PF no início de janeiro de 2023, logo no começo do terceiro mandato do presidente.
Também coordenou a operação de segurança da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada do Rio em 2016. Na época, ele ocupava o cargo de Secretário Extraordinário de Segurança para Grandes Eventos.
Desde que assumiu a direção da PF, esteve à frente da corporação em operações de destaque nacional. Entre elas, estão a Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes financeiras do Banco Master; Sem Desconto, responsável por investigar a fraude nos descontos indevidos do INSS; e Overclean, na apuração de um esquema de desvio de recursos públicos de emendas parlamentares, corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.
Leandro
Almada ocupava o cargo de diretor de Inteligência Policial desde dezembro de 2024. Trata-se de uma das áreas mais estratégicas da PF. Ele se formou em direito pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) em 1995 e foi delegado da Polícia Civil de Minas Gerais entre 1997 e 2007.
O delegado entrou na PF em 2008. Desde então, ocupou diversos cargos e comandou as superintendências do Amazonas, da Bahia e do Rio de Janeiro. Ele atuou nas investigações sobre a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.
Almada foi diretor de Operações do Ministério da Justiça em 2020. Na época, o ministério era comandado por André Mendonça, durante o governo de Jair Bolsonaro.
Decisão
A decisão de afastamento de ambos ocorre na semana seguinte ao ministro Alexandre de Moraes apresentar um relatório da PF para pedir que Mendonça fosse investigado no STF. Moraes protocolou a solicitação no inquérito das fake news, relatado por ele próprio. O presidente do STF, Edson Fachin, interveio na sexta-feira (4), retirou o pedido desse inquérito e cobrou explicações dos envolvidos.
Mendonça classificou como de “absoluta impropriedade técnica e ilicitude na sua produção” o relatório de inteligência da PF apresentado por Moraes. “‘Documento’ é apócrifo, sem timbre ou qualquer outro símbolo gráfico capaz de lhe empregar o mínimo grau de legitimidade e confiabilidade, inviabilizando qualquer conferência quanto à sua autoria e data de elaboração”, afirma o ministro na decisão.
Na decisão de hoje, Mendonça determinou também que a Corregedoria da PF investigue, além de Andrei Rodrigues, o delegado Almada. “Do mesmo modo, deve ser determinada a abertura de procedimento investigatório próprio sobre as circunstâncias relacionadas à produção dos ‘documentos’ em questão, a ser conduzido no âmbito da Corregedoria da Polícia Federal.” (Com informações do portal UOL)