Sábado, 05 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de setembro de 2026
O depoimento de Daniel Vorcaro ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, na quinta-feira passada (27), irritou a PGR (Procuradoria-Geral da República) e rachou a equipe de defesa do ex-dono do Banco Master.
O depoimento foi marcado a pedido do advogado Daniel Bialski, que entrou recentemente no caso. Ele relatou que Vorcaro teria sofrido intimidações para não delatar e maus-tratos no sistema prisional por parte da PF (Polícia Federal).
Bialski assinou a petição sozinho, sem incluir os demais advogados.
Mendonça marcou o ato para a manhã de quinta-feira. No mesmo horário, Vorcaro deveria depor à PF sobre o inquérito que apura a corrupção de servidores do Banco Central.
A PF tentou fazer o depoimento por videoconferência, mas foi informada pela Polícia Militar do Distrito Federal — que administra a Papudinha — que estava ocorrendo uma “falha técnica” na chamada.
A “falha técnica” era, na verdade, um depoimento a João Azambuja, juiz auxiliar de Mendonça. O advogado Sérgio Leonardo, que defende Vorcaro desde o início da investigação, chegou a entrar na videoconferência —à distância, da Itália—, mas ela nunca aconteceu.
A própria defesa pediu para não receber cópia do vídeo para que não seja atribuída a ela um eventual vazamento. “Se acontecer algum tipo de fornecimento de imagem em algum lugar que se possa atribuir aos advogados”, justificou Bialski.
Um promotor de Justiça representou a PGR na sala e registrou em ata que comunicaria o teor do ato a Paulo Gonet. Vorcaro disse que queria ter falado diretamente com Mendonça.
A PGR foi comunicada do depoimento às 22h de quarta-feira, o que também incomodou os procuradores.
Vorcaro
No depoimento, Vorcaro relatou que sofreu ameaças para não incluir o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em sua delação. Disse ainda que não pôde citar pessoas do “atual governo”.
“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo”, afirmou.
“E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, disse o banqueiro.
Ele citou o diretor-geral da PF como exemplo dessas relações. “O próprio diretor-geral, o Andrei, que viajou para eventos comigo, com namorada, teve ingressos, teve uma relação pretérita a esse caso.”
Questionado pelo juiz sobre a natureza da relação, Vorcaro a classificou como “cordial”. Falou em “eventos de charuto”, ir “com família em eventos do banco” e “convites para eventos de Fórmula 1”.
Perguntado se citaria Andrei Rodrigues numa eventual delação, respondeu: “Ele estaria, sim, dentro do contexto dessa questão do evento de relações que eu acabei desenvolvendo”. Não apresentou provas nem detalhou datas ou destinos das viagens. (Com informações da colunista Natália Portinari, do portal UOL)