Domingo, 05 de Julho de 2026

Home Política Deputado federal cassado Alexandre Ramagem diz que extradição “não acontecerá” e cita volta ao Brasil

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O deputado federal cassado e ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem afirmou à CNN que sua extradição para o Brasil “não vai acontecer” e definiu 2026 como um “ano de virada”.

“A gente está em segurança, lutando pelo nosso Brasil aqui nos Estados Unidos”, disse o ex-parlamentar no estádio em Nova Jersey, minutos antes do início do jogo do Brasil contra a Noruega neste domingo (5).

Ramagem foi condenado pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), em setembro do ano passado, a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado, no processo da trama golpista, pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ele nega as acusações.

Mesmo proibido pelo Supremo de deixar o país, ele fugiu do Brasil pela fronteira de Roraima com a Guiana logo após a condenação e entrou nos Estados Unidos com passaporte diplomático, segundo investigação da Polícia Federal. Por isso, é considerado foragido da Justiça brasileira.

Sobre sua situação legal, Ramagem afirmou que tramitam em paralelo o pedido de asilo apresentado por ele e o processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro. “Como eles sabem que a extradição não vai acontecer, porque sabem que é uma farsa, eles tentaram me deportar clandestinamente”, declarou, em referência às autoridades brasileiras.

O ex-diretor da Abin voltou a negar a existência da trama golpista e classificou o processo como perseguição. “Inventaram essa farsa do golpe, inventaram crimes contra nós todos para acabar com o segmento político de direita e encarcerar o Jair Messias Bolsonaro”, afirmou.

O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 e está preso desde novembro do ano passado — situação que Ramagem descreveu na entrevista com as palavras “preso, sequestrado, censurado”.

Questionado sobre a possibilidade de retornar ao Brasil, Ramagem vinculou seus planos à eleição presidencial: “Com essa luta, vamos virar 2027, [com] Flávio Bolsonaro e a gente volta pro Brasil”.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi indicado pelo pai, em carta, como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de outubro.

Prisão pelo ICE

Ramagem foi preso em 13 de abril pelo ICE (sigla em inglês para United States Immigration and Customs Enforcement), o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, em Orlando, na Flórida, após ser flagrado em uma infração de trânsito.

O motivo da prisão foi a permanência irregular no país, já que seu visto estava vencido desde 7 de março. O ex-deputado foi solto dois dias depois, sem pagamento de fiança, e deve permanecer nos Estados Unidos até que o pedido de asilo, apresentado sob a alegação de perseguição política, seja analisado pelas autoridades americanas.

Além da condenação criminal, Ramagem teve a perda do mandato de deputado federal decretada pela Mesa Diretora da Câmara em dezembro, por faltas consecutivas, na mesma decisão que atingiu Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

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