Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de novembro de 2026
A derrota expressiva do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos abriu um período de incerteza para a política externa do presidente Donald Trump. Com a maioria democrata nas duas Casas do Congresso a partir de 3 de janeiro, o governo terá de enfrentar uma oposição com maior capacidade de fiscalização e de interferência nas decisões orçamentárias e militares.
Os próximos dois meses serão importantes para definir os rumos dos conflitos envolvendo os Estados Unidos, especialmente as guerras no Irã e na Ucrânia. A nova configuração política poderá dificultar a continuidade de determinadas operações, embora não retire do presidente a autoridade para comandar diretamente as Forças Armadas.
A derrota republicana também aumenta a pressão sobre Trump em relação ao custo político e econômico dos conflitos. Durante a campanha eleitoral, os democratas associaram a guerra contra o Irã à elevação dos preços dos combustíveis e ao aumento das despesas do governo. O próprio presidente reconheceu que o conflito teve influência no resultado negativo de seu partido.
No caso iraniano, a situação é considerada especialmente delicada. A possibilidade de retomada e ampliação das operações militares permanece no horizonte, mas o enfraquecimento político de Trump pode estimular Teerã a endurecer suas exigências em eventuais negociações.
O presidente americano terá de escolher entre buscar uma saída diplomática ou ampliar a pressão militar para tentar apresentar um resultado favorável. Uma escalada, entretanto, poderá aumentar os custos econômicos e políticos justamente no momento em que o governo perde apoio no Congresso.
A situação de Israel também integra esse cenário. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta dificuldades políticas internas, enquanto a continuidade da assistência militar americana poderá ser alvo de questionamentos na nova legislatura. Parlamentares democratas apresentam posições diferentes sobre o apoio ao governo israelense, o que dificulta prever uma mudança imediata na política de Washington.
Na guerra entre Rússia e Ucrânia, a mudança no Congresso poderá afetar a estratégia americana de negociação. As conversas entre Moscou e Kiev, intermediadas pelos Estados Unidos, deverão ser retomadas em Abu Dhabi. A condução dessas negociações também estará sujeita a uma fiscalização mais rigorosa dos parlamentares democratas.
O presidente russo, Vladimir Putin, poderá tentar aproveitar o enfraquecimento político de Trump para ampliar a pressão militar sobre a Ucrânia, especialmente contra a infraestrutura energética do país antes da chegada do inverno europeu. Nesse contexto, o governo americano terá de decidir se mantém a estratégia de aproximação com Moscou ou aumenta a pressão sobre o Kremlin.
Outro ponto de atenção é o orçamento militar. A proposta para o ano fiscal de 2026-2027 prevê gastos de US$ 1,15 trilhão com defesa, o maior volume da história americana. Com o controle democrata no Congresso, parte desses recursos poderá enfrentar resistência durante a tramitação.
Apesar da nova correlação de forças, Trump mantém o poder de veto presidencial. Para derrubar um veto, Câmara e Senado precisam reunir dois terços dos votos. Assim, a maioria democrata poderá limitar iniciativas e ampliar a fiscalização, mas não terá controle absoluto sobre as decisões do Executivo.