Sábado, 31 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 31 de outubro de 2026
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições presidenciais não apenas provocou um terremoto político no campo da direita, com a fuga do senador aos Estados Unidos e a sua recusa em aceitar o resultado das urnas, como fez subir no telhado o lançamento nos cinemas brasileiros de “Dark Horse”, o polêmico filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com a vitória de Lula e o avanço das investigações em torno do nebuloso financiamento da produção, que teria contado com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, o lançamento, que já era incerto em razão da investigação, se torna cada vez mais improvável.
Se antes a previsão era de lançamento no primeiro semestre de 2027, nem isso é mais garantido. E todas as possibilidades estão sendo consideradas, inclusive a de lançar a cinebiografia de Bolsonaro diretamente em uma plataforma de streaming, o que não necessitaria de aval da Agência Nacional do Cinema (Ancine), já que a agência regula apenas cinema, televisão aberta e TV Paga.
“A legislação sobre streaming ainda tramita no Congresso. Como os serviços de streaming não foram incluídos dentre os já regulados, um streaming do Brasil ou estrangeiro pode ofertar o filme, sim”, diz um integrante do governo Lula que acompanha de perto os bastidores.
Um dos temores da distribuidora Europa Filmes é com o risco de uma decisão da Justiça bloqueando as receitas do filme, o que poderia comprometer o investimento no lançamento do longa-metragem. É uma possibilidade cogitada inclusive por investigadores que atuam no caso: “Se houvesse lucro com o filme, ele pode ser bloqueado até o levantamento da liquidação do Master”.
“Dark Horse” se tornou um dos principais focos de desgaste da fracassada campanha de Flávio ao Palácio do Planalto após o site Intercept Brasil revelar, em maio passado, áudios em que ele cobra dinheiro do dono do Banco Master. O caso resultou na abertura de um inquérito no STF. O próprio Flávio e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu irmão, são investigados por corrupção (passiva e ativa), evasão de divisas e lavagem de capitais.
Uma das linhas de investigação da PF é saber se o dinheiro enviado por Vorcaro, por meio do fundo Havengate, administrado por um advogado próximo de Eduardo, não foi desviado para financiar o autoexílio do ex-deputado nos EUA. Nas próximas semanas, a PF deve avançar na perícia contábil financeira nos contratos e despesas da Go Up Entertainment, que produziu o filme. A Go Up, que nunca lançou nenhum longa-metragem nos cinemas brasileiros, encaminhou à PF mais de 20 mil páginas de documentação entre contratos de câmbio, notas fiscais e recibo de despesas operacionais, mas a análise do material ainda não foi concluída.
Segundo a PF, o trabalho deve “focar na verificação da compatibilidade” entre os gastos declarados em um laudo privado apresentado pela própria Go Up, os contratos de câmbio para o ingresso de recursos no Brasil e o fluxo financeiro dos US$ 12,3 milhões que o operador Antônio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, depositou no exterior para o fundo Havengate, a pedido de Vorcaro. Mineiro fechou um acordo de colaboração premiada, homologado em setembro pelo ministro do STF André Mendonça.
Os peritos da PF querem esclarecer, por exemplo, se é possível “estabelecer nexo financeiro ou contábil direto” entre as sete remessas ao Havengate efetuadas pela Entre Investimentos, que totalizam US$ 12,3 milhões, e os valores recebidos posteriormente pela Go Up no Brasil para a produção do filme.
Segundo a PF, o trabalho deve “focar na verificação da compatibilidade” entre os gastos declarados em um laudo privado apresentado pela própria Go Up, os contratos de câmbio para o ingresso de recursos no Brasil e o fluxo financeiro dos US$ 12,3 milhões que o operador Antônio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, depositou no exterior para o fundo Havengate, a pedido de Vorcaro. Mineiro fechou um acordo de colaboração premiada, homologado em setembro pelo ministro do STF André Mendonça.
Os peritos da PF querem esclarecer, por exemplo, se é possível “estabelecer nexo financeiro ou contábil direto” entre as sete remessas ao Havengate efetuadas pela Entre Investimentos, que totalizam US$ 12,3 milhões, e os valores recebidos posteriormente pela Go Up no Brasil para a produção do filme. “Dark Horse” está cercado por interrogações envolvendo todas as fases de produção. Quando os diálogos com Vorcaro foram divulgados pelo site Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro prometeu apresentar as contas do filme, mas depois mudou o discurso e tem alegado que uma perícia privada já esclareceu os gastos da produção, o que não é verdade.
Contratada pela Go Up Entertainment, o trabalho revelou que 72% dos gastos com o longa-metragem ocorreram nos Estados Unidos, ainda que as filmagens tenham sido feitas no Brasil. De acordo com a perícia, o filme teria custado US$ 13,39 milhões, o equivalente a R$ 75,1 milhões, segundo a taxa de câmbio da época.