Sábado, 17 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 17 de outubro de 2026
Desde que Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com mais votos do que Lula (PT), alguns nomes influentes da esquerda brasileira partiram para a ofensiva. Parte apelou para o catastrofismo e outros distorceram fatos, surfando em temas sensíveis na sociedade brasileira, como autismo, Pix e o Sistema Único de Saúde.
Entenda abaixo detalhes e contextos do que foi dito sobre os três temas:
SUS
O ex-deputado Jean Wyllys, que concorreu nestas eleições pelo PT em São Paulo, mas não foi eleito, postou que sua diversão no Instagram está sendo “mandar a real a pobre fodido de direita eleitor de Flávio Bolsonaro”. Segundo ele, trata-se da “pedagogia do choque” para produzir um curto-circuito que reverta a lavagem cerebral.
“Teve uma que fez hemodiálise todo dia no SUS que, depois de insultar Lula, disse que é Flávio até o fim. Eu respondi: ‘Parabéns, seu fim está próximo, já que ele vai acabar com o SUS. Às portas do inferno, lembre-se disto’”, postou o ex-deputado.
A Folha de S. Paulo tentou contato com Jean Wyllys, mas não obteve resposta.
Um evento em setembro reuniu os conselheiros de Flávio e Lula para a Saúde —o médico Cláudio Lottenberg, cotado para integrar eventual governo do PL, e Alexandre Padilha (PT), ministro da Saúde do petista. Ambos apresentaram ideias semelhantes para o SUS.
O indicado de Flávio ao ministério disse que o SUS é uma “estrutura vitoriosa” que precisa ser melhorada ou aperfeiçoada, sem exigir uma reforma.
PIX
Outro caso foi o da historiadora Lilia Schwarcz, que tem 683 mil seguidores no Instagram. Ela postou um vídeo afirmando que Flávio Bolsonaro vai acabar com o Pix, caso eleito.
“Não sei vocês, mas eu vou usar o Pix o máximo que eu puder agora. Porque se por acaso o Flávio Bolsonaro ganhar, ele vai acabar com o Pix. A mando de quem? A mando do [Donald] Trump, que já avisou que não gosta nada de Pix e que não confia. Gente, corre lá para fazer bastante Pix, porque daqui a pouco, acabou”, disse.
À Folha ela diz que não se trata da extinção do serviço de pagamento, mas de possíveis medidas que podem ir minando o funcionamento, comprometendo a eficiência do Pix.
“Trump várias vezes se pronunciou contra o Pix. Então assumo que, se Flávio Bolsonaro vencer, ele vai se submeter aos desígnios do presidente norte-americano e a chance é grande. Foi isso que disse”, afirmou.
O candidato do PL tem repetido seguidamente que vai manter o sistema de pagamentos se for eleito. Em julho, enviou um dossiê ao governo americano oferecendo vantagens comerciais e citou o Pix como um dos marcos da gestão Jair Bolsonaro.
Eletrochoque
Outro episódio do tipo envolveu o influenciador Felipe Neto, que afirmou que o governo Bolsonaro propôs eletrochoque para crianças autistas. O vídeo é de 2022, mas voltou a circular nas redes recentemente, impulsionado por apoiadores e críticos. A peça foi também repostada pelo 342 Artes, movimento liderado pela empresária Paula Lavigne.
“É verdade que o governo Bolsonaro propôs eletrochoque em crianças autistas?”, pergunta o influenciador no vídeo. “É, é verdade”, responde Felipe a si mesmo.
O governo Bolsonaro não fez essa recomendação oficial. Em um documento preliminar, que foi posteriormente enviado para consulta pública, mencionou a existência da técnica da eletroconvulsoterapia (ECT). O material foi elaborado por especialistas da área da saúde e representantes do Ministério da Saúde, que se reuniram em 2021, no âmbito da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, a Conitec.
O grupo responsável por conduzir a atualização no caso do comportamento agressivo no TEA (Transtorno do Espectro do Autismo) foi o Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
À Folha a professora de ciências farmacêuticas da Unifesp Daniela de Oliveira Melo diz que “não houve interferência política no desenvolvimento do PCDT [Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas] em questão”.
Felipe Neto no vídeo diz que a “Conitec surpreendeu o mundo inteiro ao emitir uma planilha, uma cartilha, recomendando, dentre várias coisas, o tratamento de autistas severos com eletrochoque”.
O documento a que ele se refere é uma atualização do protocolo para Comportamento Agressivo no Transtorno do Espectro do Autismo.
Em março daquele ano, Afzal Javed, então presidente da Associação Mundial de Psiquiatria, e Antônio Geraldo Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, escreveram um texto publicado na Folha no qual defendiam a eletroconvulsoterapia como “uma das técnicas mais eficazes e seguras” para o tratamento de alguns transtornos psiquiátricos. (Com informações da Folha de S. Paulo)