Sexta-feira, 26 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de junho de 2026
O Rio Grande do Sul encerrou o primeiro trimestre de 2026 com taxa de desemprego de 4,0%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice mantém o Estado próximo de um cenário de pleno emprego e entre os menores níveis da série histórica. Apesar do desempenho positivo do mercado de trabalho, especialistas alertam que a baixa disponibilidade de trabalhadores qualificados começa a representar um desafio para o crescimento da economia gaúcha.
De acordo com o estudo, o ritmo de criação de empregos formais no Estado vem desacelerando de forma mais intensa do que a média nacional, justamente em um momento em que a taxa de desemprego já se encontra estruturalmente abaixo da registrada no restante do país. A avaliação faz parte do relatório Cenário Macroeconômico, divulgado pela consultoria Bateleur.
Segundo o CEO da Bateleur, Fernando Marchet, a combinação entre mercado de trabalho aquecido e escassez de profissionais qualificados tem provocado aumento dos custos para as empresas. “Se, por um lado, o mercado de trabalho aquecido sustenta o consumo das famílias e fortalece a atividade do comércio, por outro a falta de mão de obra eleva os custos trabalhistas e pressiona as margens das empresas, especialmente nos setores mais intensivos em capital humano”, afirma.
O estudo também aponta que os salários seguem em trajetória de alta. Nos últimos 12 meses, o rendimento médio dos trabalhadores gaúchos cresceu 4% em termos reais, ou seja, acima da inflação acumulada no período. Embora esse movimento fortaleça o poder de compra da população, também amplia os desafios para empresas que enfrentam dificuldades para contratar e reter profissionais.
PIB deve acelerar
Apesar dos desafios no mercado de trabalho, a perspectiva para a economia gaúcha é de crescimento neste ano. O relatório projeta expansão de 2,31% do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul em 2026, desempenho superior ao crescimento de 0,90% registrado em 2025.
A recuperação deverá ser impulsionada principalmente pela expectativa de uma safra agrícola mais robusta e pelo bom desempenho da indústria metalmecânica, dois dos principais motores da economia do Estado. Além disso, a manutenção de um mercado de trabalho aquecido tende a sustentar o consumo e contribuir para a atividade econômica.
Por outro lado, a consultoria alerta que o cenário ainda apresenta limitações importantes. Entre os fatores que podem restringir um crescimento mais acelerado estão a desaceleração do comércio varejista, a redução do consumo de bens duráveis e os efeitos dos juros elevados, que tornam o crédito mais caro e reduzem a disposição de famílias e empresas para investir.
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