Terça-feira, 12 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de maio de 2026
O aumento dos gastos essenciais tem pressionado o orçamento das famílias brasileiras e reduzido a parcela da renda disponível para despesas extras. Desde a pandemia, itens básicos como alimentação, aluguel e saúde acumulam altas muito acima da inflação média do período, segundo levantamento da Tendências Consultoria.
De acordo com o estudo, a alimentação ficou 83,1% mais cara desde 2020. O aluguel subiu 51,1%, enquanto remédios e serviços de saúde registraram alta de 55%. No mesmo intervalo, a inflação oficial medida pelo IPCA acumulou 41,8%.
O cenário se agrava em meio ao elevado nível de endividamento das famílias brasileiras. Atualmente, cerca de 30% da renda está comprometida com dívidas, reduzindo ainda mais a capacidade de consumo.
Para Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, a parcela da renda disponível para gastos além das despesas obrigatórias atingiu o menor nível desde 2011.
“Quando se adiciona o crédito nessa equação, apesar do crescimento da economia e do mercado de trabalho, a sensação de bem-estar em relação ao dinheiro disponível para lazer e recreação é menor”, afirma.
Diante da alta dos custos básicos, especialistas em educação financeira reforçam a importância do planejamento para evitar o descontrole das contas no fim do mês.
Segundo Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), o primeiro passo é listar receitas e despesas fixas e variáveis antes do início do mês.
A recomendação é registrar inclusive pequenos gastos do dia a dia, que muitas vezes passam despercebidos, mas impactam o orçamento no acumulado mensal. Também é importante separar despesas por categorias, como moradia, alimentação, transporte, saúde e lazer, para identificar onde é possível economizar.
O especialista alerta ainda para o uso inadequado do cartão de crédito. Segundo ele, muitos consumidores tratam o limite como aumento de renda, o que pode gerar endividamento. O pagamento mínimo da fatura, por exemplo, leva o cliente ao crédito rotativo, modalidade com juros elevados.
Outro cuidado envolve compras parceladas. Mesmo opções “sem juros” podem comprometer a renda futura e dificultar o pagamento em caso de desemprego ou imprevistos.
Em momentos de aperto financeiro, a orientação é priorizar despesas essenciais, como moradia, alimentação, água, energia elétrica e medicamentos. Dívidas com juros altos, como cheque especial e cartão de crédito, também devem ser renegociadas primeiro.
Especialistas também defendem a criação de uma reserva de emergência para evitar que problemas inesperados gerem novas dívidas.
Desenrola
Para consumidores com pagamentos em atraso, o governo federal lançou nesta semana o Desenrola Brasil 2.0, programa voltado à renegociação de dívidas bancárias.
A iniciativa permite renegociar débitos relacionados ao cheque especial, crédito rotativo do cartão, cartão parcelado e crédito pessoal não consignado. Para participar, é necessário ter renda de até cinco salários mínimos, atualmente equivalente a R$ 8.105.
As dívidas precisam estar em atraso entre 90 dias e dois anos. Segundo o governo federal, os descontos médios oferecidos devem chegar a 65% do valor total devido.
Os acordos poderão ser parcelados em até quatro anos, com juros de 1,99% ao mês.
A nova fase do programa também prevê a possibilidade de utilização de parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para redução do endividamento. No entanto, os recursos só deverão ser liberados aos bancos a partir de agosto.
Enquanto isso, a Caixa Econômica Federal concentra esforços no pagamento dos valores remanescentes do saque-aniversário para trabalhadores demitidos entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. O cronograma deverá ser concluído até 1º de junho.
(Com O Globo)