Sábado, 24 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 24 de outubro de 2026
Dia 25 de outubro saberemos quem será o presidente da República durante os próximos quatro anos. Não sou otimista. E o meu pessimismo diz respeito a ambos os candidatos – Lula e Flávio Bolsonaro.
De Flávio Bolsonaro, o sobrenome não ajuda. O pai, Jair Messias, está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de estado e supressão do regime democrático. E se Flávio for o vencedor é porque uma enorme parcela da população brasileira não está nem aí para a democracia.
Esse é um primado do regime democrático: a sociedade, toda ela, ou ao menos um contingente significativo, deve não somente respeitar os seus postulados básicos, como ser uma espécie de guardiã zelosa, pronta a resistir contra retrocessos.
Se mais de 50% da população menospreza essa exigência básica, então a democracia está fadada em algum momento a sucumbir diante de uma aventura autoritária.
Quanto a Flávio Bolsonaro é essa a objeção básica: a direita que ele representa, o bolsonarismo, não tem nenhum apreço pelas liberdades civis e democráticas, embora costume atribuir aos adversários a intenção de eliminá-las. É de uma cegueira estúpida esquecer que Bolsonaro, o pai, sempre fez a apologia do golpe militar de 1964, e cujo único erro teria sido não eliminar fisicamente “uns 30 mil brasileiros”, entre eles Fernando Henrique Cardoso.
Segundo o bolsonarismo, o perigo é o comunismo, esse velho e surrado espantalho, que volta e meia serve de arma e argumento da direita golpista, no embate político-ideológico.
Isto é, a esquerda, o PT, Lula, propugnam pela mudança do sistema atual para o socialismo estatal. Os únicos capazes de evitar a tragédia seriam eles, os bolsonaristas.
Não lhes serve o raciocínio elementar: se as esquerdas e Lula, querem implantar o comunismo no Brasil, por que não o fizeram, nem tentaram, uma vez que só neste século venceram quatro eleições presidenciais, governaram o Brasil durante 18 anos?
Quem deu golpe no Brasil foi a direita, em 1964. Quem tentou novo golpe para impedir a posse de Lula foi a mesma direita, em janeiro de 2023. Quem conspira contra a democracia é a direita extremada, por natureza e vocação.
Quanto a Lula, a objeção diz respeito à condução da economia. Lula é adepto de uma só política econômica: a dos gastos. No imaginário de certa esquerda, incluindo Lula, tudo o que se pode oferecer é distribuir benesses em favor da população mais pobre e vulnerável. Desse facilitário, se cria a riqueza e se distribui a renda. O Estado dá ou subsidia recursos, as pessoas compram, a economia prospera.
Trata-se de uma solução medíocre, falsa e limitada, porque os seus resultados são efêmeros e não sustentáveis.
Outra medida fácil, porém errada, são os subsídios, as desonerações. É como se os recursos do estado fossem não apenas crescentes mas inesgotáveis. Só que não. O impasse se resolve invariavelmente pelo aumento dos impostos. Tanto mais o governo pisa no acelerador das tributações, mais sufocada fica a atividade produtiva.
Com Bolsonaro as sombras do horizonte advêm da tentação totalitária. Com Lula, apontam na direção de um país engasgado de obrigações tributárias, de torpor econômico e de crises periódicas.
Oremos.
(titoguarniere@terra.com.br)