Sábado, 31 de Outubro de 2026

Home Política Diplomata da Argentina é chamada pelo governo brasileiro para esclarecer fuga de Flávio Bolsonaro

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O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) convocou a encarregada de Negócios da Embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para tratar das circunstâncias da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos, após sua saída do território brasileiro pela fronteira argentina. A diplomata foi recebida na tarde de quinta-feira (29), em Brasília, pelo chefe do Departamento do Mercosul do Itamaraty, João Marcelo Galvão de Queiroz.

Durante a reunião, representantes brasileiros solicitaram informações sobre a passagem do senador e de sua família pela Argentina. Segundo diplomatas que participaram do encontro, María Emilia ficou de transmitir os assuntos discutidos ao governo do presidente Javier Milei. O procedimento foi classificado como habitual em situações dessa natureza, sem previsão de medidas adicionais neste momento. Eventuais desdobramentos dependerão das informações e dos resultados das apurações.

O governo argentino, entretanto, contestou publicamente a versão de que teria recebido um pedido formal de explicações. Em uma rede social, o chanceler Pablo Quirno afirmou que não houve solicitação brasileira. O presidente Javier Milei compartilhou a manifestação e criticou a publicação do jornal argentino La Nación, que havia noticiado a convocação da diplomata. Apesar da divergência de versões, o governo brasileiro decidiu evitar novas discussões públicas com Buenos Aires sobre o episódio.

Internamente, a orientação do Palácio do Planalto é encerrar o assunto e concentrar as atenções no início do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo informações do blog do jornalista Valdo Cruz, do portal g1, interlocutores aconselharam o presidente a deixar de comentar o caso e sustentar que a situação de Flávio Bolsonaro deve ser tratada no âmbito do Judiciário.

O senador chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas, depois de realizar uma viagem internacional em avião particular. A família entrou na Argentina na noite de terça (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú. Segundo a Direção Nacional de Migrações argentina, a entrada ocorreu às 22h50, pelo horário de Brasília, com documentação considerada válida e sem impedimentos migratórios.

Cerca de 40 minutos depois, os quatro embarcaram em um jatinho Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa argentina Baires Fly. A aeronave decolou de Puerto Iguazú às 0h22 de quarta, sobrevoou Paraguai, Bolívia e Peru e pousou em Guayaquil, no Equador, às 5h46. Após aproximadamente 36 minutos em solo equatoriano, seguiu para os Estados Unidos, onde aterrissou às 10h24 no Aeroporto Executivo de Fort Lauderdale, na Flórida.

A saída do Brasil ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes de Flávio à Polícia Federal. A medida está relacionada a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro em um suposto esquema envolvendo empresas do advogado Willer Tomaz e plataformas de apostas. Flávio e Tomaz reconhecem a amizade, mas negam sociedade ou participação em irregularidades.

Na terça (27), um representante do Departamento de Estado americano informou que Flávio e seus familiares receberiam vistos e poderiam entrar nos Estados Unidos. Consulta ao sistema da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) indicou autorização de permanência por um ano, na categoria identificada pelo código DT, geralmente associada a admissões temporárias por razões humanitárias. O senador teria utilizado um passaporte diplomático cancelado para ingressar no país.

Antes da viagem, a Polícia Federal havia apontado riscos concretos de fuga e solicitado a apreensão dos documentos e a proibição de saída do território nacional. Entre os elementos apresentados estavam uma declaração pública de Eduardo Bolsonaro recomendando que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota eleitoral, o poder econômico do senador e a existência de estruturas no exterior que poderiam facilitar sua permanência prolongada. A investigação também destacou que Eduardo havia sido condenado por coação no curso do processo. (Com informações do portal de notícias g1)

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