Domingo, 22 de Maio de 2022

Home em foco Diretoras de dois orfanatos salvam crianças com deficiência durante bombardeios na Ucrânia

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Um grupo de crianças e adolescentes com deficiência intelectual que vivem em dois orfanatos de Kiev, capital da Ucrânia, desembarcou na quarta-feira (2) na estação de trem da cidade de Zahony, na Hungria.

“Não era seguro ficar lá, havia foguetes, eles estavam atirando em Kiev. Passamos mais de uma hora no subsolo durante um bombardeio. Essas crianças precisam de muita atenção, algumas têm doenças crônicas e recebem cuidados específicos”, contou Larissa Leonidovna, diretora do orfanato Svyatoshinksy, que abriga 190 crianças e adolescentes, de 4 a 18 anos, com paralisia cerebral.

“São 216 pessoas no total, incluindo as crianças e seus acompanhantes”, explicou Viktoria Mikolayivna, vice-diretora do orfanato Darnytskyy, exclusivo para meninas.

Segundo informações oficiais, a Ucrânia tem 2,7 milhões de habitantes com deficiência. A maioria não consegue escapar das áreas de conflito porque a estrutura de acessibilidade no país é bastante precária, desde os prédios residenciais, antigos e sem elevadores, até os veículos e abrigos disponíveis.

Instituições internacionais atuam desde o primeiro dia da invasão russa para retirar essa população das áreas de conflito.

Sem defesa

A ativista ucraniana Tanya Herasymova, coordenadora do projeto ‘Fight For Our Right’, afirmou à imprensa internacional que pessoas com deficiência que não conseguem fugir dos ataques das tropas russas à Ucrânia estão morrendo sem qualquer chance de defesa.

Refugiada na Polônia desde o começo da guerra, Herasymova tenta arrecadar recursos e reunir voluntários para montar operações de resgate. Ela tem feito contato com instituições da Moldávia, Eslováquia, Romênia, além da própria Polônia, com a meta de garantir a chegada de pessoas com deficiência às fronteiras desses países.

A ativista disse que nunca teria chegado tão longe sem a ajuda de voluntários. “Funcionários da estação de trem me ajudaram, me carregaram pelas escadas”.

Ela relatou que a viagem no trem lotado, junto com a mãe, que usa muletas, foi “terrível”, enquanto aviões militares sobrevoavam a região.

“Neste momento, as pessoas com deficiência são o grupo mais afetado pela guerra na Ucrânia, presas e morrendo. Fomos deixados para trás”, alertou Tanya Herasymova.

Crianças

A ONU relatou que desde o início da invasão cerca de 400 mil pessoas fugiram da Ucrânia — a maioria em direção à Polônia. Pessoas que viajaram por mais de dois dias formam filas que chegam a 15 quilômetros nos pontos de fronteira.

Além da Polônia, elas vão para as fronteiras com Moldávia e Romênia ao sul, e Hungria e Eslováquia a oeste.

A maior parte dessa multidão é formada por mulheres e crianças, já que todos os homens ucranianos entre 18 e 60 anos foram obrigados a permanecer no país para lutar.

Quem olha para a fronteira da Moldávia deve pensar que a Ucrânia é uma nação de mulheres. Mães e avós arrastam malas enquanto levam seus filhos para um futuro desconhecido.

Ana chegou ao cruzamento de Palanka depois de mais de 24 horas esperando na fila do lado ucraniano da fronteira. Seu carrinho amarelo está cheio de malas e sua neta de 6 anos canta sozinha no banco de trás.

Ana e sua enteada vieram diretamente da cidade de Odessa, no sul, a cerca de 50 km de distância, um alvo importante para a Rússia na guerra.

Mas a aparência calma de Ana desmorona assim que ela começa a falar. Em lágrimas, ela descreve como teve que deixar o marido para trás para defender seu país.

“Espero que o Ocidente nos ajude a sair dessa terrível situação, porque agora estamos enfrentando sozinhos o agressor russo.” Ao redor deles, voluntários locais das cidades e vilas da Moldávia ofereciam transporte aos ucranianos que chegavam a pé.

“Levamos 52 horas para chegar aqui”, disse Kateryna Leontieva, que viajou de Kharkov com sua filha adolescente, ambas com seus passaportes ucranianos e uma mochila.

Quando perguntei como ela se sentia por estar aqui, Kateryna ficou emocionada. “Ainda não sei, as lágrimas estão correndo”, disse ela. “Não senti nada, mas agora estou começando a perceber. Espero que seja apenas uma viagem curta e que voltemos em breve.”

Na sala de espera da estação está Irene e seus dois filhos pequenos. Seu marido ficou em Leópolis para defender o país. “Apenas mulheres e crianças podem vir”, disse ela. “Os homens querem ficar, lutar e dar seu sangue. Eles são heróis.”

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