Segunda-feira, 16 de Maio de 2022

Home Brasil Disputa em torno do nome para vice na chapa de Bolsonaro coloca militares, evangélicos e Centrão em lados opostos

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Ao menos três grupos grupos do núcleo de apoio ao governo federal disputam quem emplacará o nome para vice na chapa de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição para presidente da República: militares, evangélicos e parlamentares do chamado “Centrão” no Congresso Nacional.

A fim de evitar desgastes antecipados, o titular do Palácio do Planalto têm repetido que só  definirá sua opção “aos 48 minutos do segundo tempo”.

O fato é que essa tripla divisão, que expõe interesses conflitantes entre os segmentos mais próximos ao chefe do Executivo, ocorre desde o início do governo e ficou mais explícita no mês passado, quando a Câmara dos Deputados aprovou a legalização dos jogos-de-azar.

O presidente disse que vetará o projeto caso chegue à sua mesa para sanção, o que não impediu o Centrão, incluindo o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, de trabalhar a favor da proposta. A bancada evangélica, por sua vez, firmou posição contra.

Na corrida para emplacar o vice, os militares tentam repetir a dobradinha de 2018, que alçou o general da reserva Hamilton Mourão ao posto, e agora defendem o nome do ministro da Defesa, Braga Netto, também general da reserva. São entusiastas dessa tese os titulares da Secretaria-Geral, Luiz Eduardo Ramos, e do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, ambos oriundos do Exército.

No Centrão, a preferência, liderada pelo presidente do PL (legenda à qual Bolsonaro se filiou após deixar o PSL), Valdemar Costa Neto, recai sobre a ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Correndo por fora, o pastor Silas Malafaia, interlocutor assíduo de Bolsonaro, passou a defender, nas últimas semanas, o ministro do Turismo, Gilson Machado.

Mourão

A relação de Bolsonaro com o seu vice, general da reserva Hamilton Mourão, tem sido marcada por altos e baixos desde que o ex-capitão chegou ao Palácio do Planalto. A começar pela escolha de seu nome para compor a chapa que se sairia vitoriosa no pleito de 2018.

Na madrugada de 5 de agosto daquele ano, data-limite para o registro das chapas à Presidência, Mourão foi escolhido para a dobradinha. O acordo de última hora teria sido motivado por um dossiê contra outros interessados, conforme revelado depois da eleição por aliados do próprio Bolsonaro.

Isso também deu origem a uma parceria com militares da reserva e que desde o início seria marcada pela inconstância. O Planalto tenta evitar a repetição desse cenário, ainda que a escolha do substituto de Mourão, descartado para o posto, já provoque um jogo interno de pressões.

Sem vaga na campanha para a reeleição, Mourão definiu como plano concorrer ao Senado pelo Rio Grande do Sul. Para isso, deixou o nanico PRTB e se filiou ao Republicanos. A nova sigla de Mourão, por sinal, também tem um histórico de entreveros com Bolsonaro, e atualmente ameaça um desembarque da campanha do presidente.

Os atritos entre Mourão e o entorno de Bolsonaro começaram logo após a facada contra o então presidenciável, em Juiz de Fora (MG), em setembro de 2018. Passados quatro dias depois do episódio, Mourão pediu para “acabar com a vitimização”, referindo-se à exposição de imagens de Bolsonaro na cama do hospital, e avaliou que aquela situação já tinha dado “o que tinha que dar”.

Ele também declarou que a campanha avaliava a possibilidade de ele participar de debates no lugar de Bolsonaro. Meses depois, já durante o governo, o vereador Carlos Bolsonaro (filho do presidente) relembrou as falas de Mourão e criticou o vice nas redes.

Na campanha, Mourão foi repreendido pelo próprio Bolsonaro ao referir-se ao 13º salário como “jabuticaba brasileira” e “uma mochila nas costas de todo empresário”, sugerindo ser contrário também ao abono de férias. À época, o então presidenciável disse que a crítica de Mourão era “uma ofensa a quem trabalha”.

Durante o primeiro ano de governo, Mourão voltaria a ser alvo de críticas de Carlos e da militância bolsonarista devido à sua postura, que aparentava buscar contrapontos ao presidente. Um dos episódios que incomodou o vereador carioca, por exemplo, foi a defesa de Mourão de que a população da Venezuela estivesse desarmada para evitar uma guerra civil no país. Bolsonaro, por sua vez, argumentou diversas vezes favor do armamento da população no Brasil, citando a Venezuela como exemplo negativo.

A relação entre presidente e vice também teve momentos de calmaria. Mourão afirmou seguidas vezes que tinha “fidelidade”, e Bolsonaro sugeriu, em dezembro, que poderia escolher “até o próprio Mourão” como vice de novo. Na última semana, porém, o presidente voltou a expor o desgaste do relacionamento ao desautorizar o vice publicamente, desta vez após Mourão dizer que o governo não concorda com a invasão da Ucrânia pela Rússia.

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