Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 3 de setembro de 2026
O governo do Distrito Federal alterou a classificação de parte das despesas do orçamento para ampliar a capacidade de pagamento e tentar viabilizar um empréstimo destinado ao socorro do Banco de Brasília (BRB), que enfrenta dificuldades após os prejuízos relacionados às fraudes envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A mudança é questionada pela Consultoria Legislativa da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Em agosto, o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, defendeu a alteração na classificação das despesas.
Até o momento, o BRB não recebeu o aporte necessário para cobrir o rombo provocado pelas operações envolvendo o Banco Master. O Distrito Federal, controlador do banco, registrou um déficit de R$ 5,5 bilhões no orçamento do ano passado e busca agora um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para reforçar a instituição. A operação, no entanto, ainda não foi concretizada.
Pela mudança adotada pelo governo, despesas que tradicionalmente eram registradas como gastos correntes passaram a ser enquadradas como investimentos. Com isso, o volume de despesas correntes diminui e a chamada poupança corrente do Distrito Federal aumenta.
O indicador é considerado pelo Tesouro Nacional na avaliação da capacidade de pagamento dos governos estaduais e distrital e tem peso na concessão de garantias da União para operações de crédito. A alteração, portanto, melhora formalmente um dos indicadores utilizados na análise fiscal do Distrito Federal.
O Tesouro Nacional, porém, manteve o Distrito Federal na classificação “C” de Capacidade de Pagamento (Capag). A nota impede, atualmente, que a União conceda aval para novos financiamentos do governo distrital.
A poupança corrente foi um dos fatores que contribuíram para a manutenção da avaliação negativa do DF pelo segundo ano consecutivo. A classificação considera indicadores relacionados à capacidade de endividamento, à poupança corrente e à liquidez do ente público.
Diante da dificuldade para obter o empréstimo de R$ 6,6 bilhões, a administração distrital tenta utilizar os resultados parciais das contas de 2026 para demonstrar à União e a instituições financeiras privadas que possui condições de assumir e pagar a nova dívida.
A estratégia adotada pelo governo, contudo, enfrenta questionamentos técnicos dentro da própria Câmara Legislativa. A Consultoria Legislativa avalia a mudança na classificação das despesas, enquanto o Executivo sustenta que a alteração permite adequar os registros orçamentários e melhorar a demonstração da situação fiscal do Distrito Federal.
O caso ocorre em meio à tentativa de reorganização financeira do BRB depois dos problemas envolvendo o Banco Master. O banco brasiliense havia realizado operações com a instituição de Daniel Vorcaro e passou a enfrentar impactos financeiros após a descoberta de irregularidades relacionadas ao Master.