Sexta-feira, 14 de Junho de 2024

Home Dicas de O Sul Documentário “O presidente improvável” traz Fernando Henrique Cardoso em diálogos sobre legado e democracia no Brasil

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Como a história pessoal de Fernando Henrique Cardoso pode nos ajudar a compreender a História recente do Brasil? Foi com esta pergunta que partiu o diretor Belisario Franca (“Menino 23”, “Soldados do Araguaia” e “Amazônia Eterna”) para realizar o documentário “O presidente improvável”, que resgata a trajetória e o pensamento do biografado desde a sua infância até o presente. O longa chega aos cinemas brasileiros em 31 de março. A distribuição do documentário é da Bretz Filmes.

Intercalando imagens de arquivo com trechos de diálogo, o documentário coloca FHC diante de amigos e colegas de longa data para relembrar histórias do passado, refletir sobre o presente e revisar o seu legado como político, sociólogo e brasileiro. Com essa opção narrativa, o filme reproduz um hábito que Fernando Henrique carrega desde os tempos de universidade: convidar para o seu escritório aquelas pessoas que ele mais admira em cada campo do conhecimento. Entre os seus ilustres interlocutores, o espectador vai se deparar com grandes intelectuais e políticos do Brasil e do mundo como Bill Clinton, Manuel Castells, Gilberto Gil, Ricardo Lagos, Raul Jungmann, Maria Hermínia Tavares, Boris Fausto e Alain Touraine.

Fernando Henrique Cardoso, que completará 91 anos em junho, costuma ser mais lembrado como o Presidente da República que governou o Brasil entre 1995 e 2002. Mas ele também foi, e ainda é, um importante sociólogo, professor e pensador da realidade brasileira e latino-americana. Entre as suas obras, destaca-se especialmente o livro “Dependência e desenvolvimento na América Latina”, que marcou a interpretação sociológica do continente e foi escrito em coautoria com o chileno Enzo Faletto em 1968, quando FHC ainda estava no exílio.

Ao reconstituir o caminho intelectual e político do protagonista, o documentário também refaz o percurso da História do Brasil e propõe uma reflexão sobre a democracia e a luta por um país melhor. “É surpreendente a biografia do Fernando Henrique, que desde muito cedo esteve envolvido direta ou indiretamente em fatos históricos do Brasil. Isso me chamou muito a atenção. O valor das instituições que a democracia traz não é garantido. A gente assiste a esse derretimento dos pilares, e escutá-lo falar da sua vida, do seu tempo antes da presidência — da família, da academia, da sua atuação como intelectual e dos primeiros passos na política — é de grande impacto”, explica Belisario Franca.

Para o documentário, foram gravados exclusivamente 20 diálogos, de mais ou menos 1h30 cada. Todos esses encontros ocorreram na Fundação Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, que é onde o presidente trabalha, apresenta palestras e atualmente recebe amigos e intelectuais para conversas e reflexões cotidianas. É como se fosse sua casa e, assim, sentiu-se confortável para gravar o filme. “O fato de ser um espaço grande nos deu segurança fisicamente também. Contamos com uma equipe pequena no set e pudemos manter o distanciamento social enquanto aconteciam as filmagens durante a pandemia”, reforça o diretor.

Na montagem de Lyana Peck, pontuada e atravessada por uma rica iconografia, os 20 diálogos gravados se transformam em uma única conversa, que flui de maneira não linear, mas sempre coerente. Uma vez que FHC trabalhou com a maioria de seus interlocutores, lembranças mútuas surgem e conferem materialidade às suas ideias. Assim, o documentário também cumpre a função de estabelecer uma ponte entre as reflexões do intelectual na Academia e as ações do político em Brasília, mostrando como a sua participação essencial na redemocratização do país, por exemplo, vai muito além de sua carreira como homem público.

A trilha sonora é assinada pelo ator, músico, compositor e produtor musical Rodrigo Lima, parceiro da Giros Filmes a mais de 10 anos.

A produção é assinada pela Giros Filmes, que está completando 25 anos, e é de sociedade de Belisario Franca, Mauricio Magalhães e Bianca Lenti.

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