Domingo, 21 de Julho de 2024

Home Economia Dólar fecha acima de R$ 5,40; é o maior patamar em 17 meses

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O dólar comercial encerrou as negociações nessa quarta-feira (12) em alta de 0,86%, cotado a R$ 5,40. É o maior valor de fechamento desde o dia 4 de janeiro de 2023, quando o câmbio estava em R$ 5,45. O dólar vem acumulando sucessivas altas e chegou a bater R$ 5,42 na máxima do dia.

No final da tarde moeda operava em leve alta, rondando o patamar de R$ 5,36, mas começou a disparar e bateu R$ 5,40, em meio a discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, nos Estados Unidos, e da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

Lá fora, Powell reforçou um tom mais duro em relação ao controle da inflação nos Estados Unidos. O Fed anunciou nesta quarta a manutenção da atual taxa de juros, o que já era amplamente esperado pelos analistas, e disse esperar apenas um corte na taxa de juros americana neste ano.

Antes da decisão, os investidores apostavam que o Fed cortaria as taxas duas vezes até o final do ano, e viam uma alta probabilidade de um primeiro corte já em setembro, de acordo com contratos futuros. No último comunicado, o BC americano projetava três reduções.

Juros altos por mais tempo nos Estados Unidos tendem a tornar os retornos em países emergentes, como o Brasil, menos atrativos, e pressionar o dólar.

Gustavo Okuyama, gerente de portfolio da Porto Asset Management, avalia que o Fed ter mantido um tom mais restritivo e reduzido sua projeção de três cortes em 2024 para um foi uma surpresa para o mercado, especialmente após os dados de inflação divulgados mais cedo, que vieram menores do que o esperado pelos analistas:

“Os números da inflação vieram bons, então isso poderia ter deixado o tom dos diretores mais dovish (menos restritivos), mas isso não aconteceu. Mesmo com essa inflação, eles escolheram transmitir uma mensagem mais dura. O mercado estava se posicionando para uma postura mais branda”, ele diz.

Mais cedo, os índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos em maio veio abaixo das projeções do mercado. O indicador ficou estável no mês, após um aumento de 0,3% em abril. Nos últimos 12 meses, os preços avançaram 3,3%, ante previsão de 3,4% entre os analistas.

Lá fora, as ações até perderam fôlego após o comunicado do Fed e o discurso de Powell. Mesmo assim, os índices S&P 500 e Nasdaq 100, da Bolsa americana, encerraram em patamares históricos de fechamento, e o dólar se desvalorizou frente a outras moedas.

Por aqui, Simone disse que gastos obrigatórios do Orçamento são insustentáveis e que a revisão de gastos envolve toda a equipe econômica, não só o Planejamento. A ministra também afirmou que cravar meta zero seria “impossível”, mas garantiu que o governo estaria dentro do limite. Isso foi interpretado pelo mercado como mais uma sinalização do governo de falta de compromisso com a meta fiscal.

A meta deste ano é alcançar déficit zero, com margem de tolerância para um déficit de até 0,25% do PIB.

“Ela deveria tranquilizar o mercado e dizer que a meta é plausível de ser alcançada. Como já está tudo muito nebuloso em relação ao cenário fiscal, se a Tebet estivesse falando em outro momento, mais ameno, talvez nem tivéssemos visto essa reação”, afirma Luan Aral, especialista em dólar da Genial Investimentos, sublinhando o tuíte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais cedo, que pressionou os ativos. Para ele, esse foi o principal fator por trás da alta do dólar no dia.

Lula afirmou em evento no Rio e em publicação no X (antigo Twitter) que “o aumento da arrecadação e a queda da taxa de juros permitirão alcançar a meta de déficit sem comprometer os investimentos”. A declaração gerou desconforto no mercado, que interpretou que o equilíbrio nas contas públicas viria com mais impostos, e não a partir de corte de gastos.

Foi um dia de altos e baixos para o dólar. O câmbio iniciou o dia em leve alta, mas começou a operar em queda após dados de inflação nos EUA em maio virem abaixo do esperado, o que enfraqueceu a moeda globalmente. A princípio, a percepção no mercado foi de que os preços nos Estados Unidos podem estar começando a desacelerar, o que abriria espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano. Pouco depois, o dólar começou a avançar e bateu a máxima do dia, após declaração de Lula sobre a situação fiscal no País.

Analistas também citaram a decisão do Senado na véspera de devolver parte da MP do PIS/Cofins ao Executivo. A MP limitava o uso de créditos tributários usados para compensar pagamentos de impostos. Com isso, o governo esperava elevar a arrecadação, mas a má repercussão da medida, especialmente entre empresários, fez o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, devolvê-la. Para o mercado, o movimento foi visto como uma derrota do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

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