Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de janeiro de 2026
A Polícia Federal (PF) identificou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tinha pelo menos três planos de voo diferentes antes de ser preso na noite do dia 17 de novembro do ano passado, quando se preparava para embarcar para o exterior.
Os investigadores avaliam que a existência de mais de uma rota comprovaria a acusação de que o ex-banqueiro tentava fugir do País, e não apenas ir a Dubai para fechar a venda do Master a um grupo de investidores árabes, numa parceria com o Grupo Fictor.
As informações sobre as rotas fazem parte das investigações do caso e, segundo integrantes do órgão, desmontam a tese da defesa de Vorcaro de que não houve tentativa de fuga, de que havia uma negociação em curso e de que, portanto, o Banco Central teria se precipitado ao liquidar o Master.
Antes da prisão, o ex-banqueiro estava sendo rastreado pela PF, que teria identificado indícios de que um helicóptero pode ter sido usado para despistar um possível monitoramento.
Jato executivo branco estacionado em pista de aeroporto à noite com escada de embarque aberta e luzes internas acesas. Veículo da Polícia Federal preto está estacionado próximo, com parte da cabine visível.
A defesa de Vorcaro chamou de especulações as informações sobre uma tentativa de fuga do dono do Master em novembro. “Na verdade, (ele) buscava – e continuará buscando – soluções de mercado hígidas para o conglomerado Master, com boa-fé, transparência e deferência ao regulador”, diz nota.
De acordo com a defesa, Vorcaro informou o BC sobre diversas tratativas para a venda das instituições que integravam o conglomerado Master e comunicou que seria divulgada, no mesmo dia 17, a venda do banco à empresa Fictor.
Desde a prisão, Vorcaro tem sustentado a posição, via sua defesa, de que o BC deveria ter analisado a proposta da Fictor antes de liquidar o banco.
Ainda na manhã dia 18 de novembro, poucas horas depois do anúncio da liquidação do Master pelo Banco Central, reportagem da Folha de S.Paulo já mostrava que investigadores suspeitavam que a proposta de compra do Master pela Fictor Holding Financeira, divulgada no final do dia anterior, seria uma espécie de simulacro para facilitar a fuga do banqueiro do País.
Na época, pessoas diretamente envolvidas nas apurações relataram que a ordem de prisão de Vorcaro foi assinada às 15h do dia 17. No mesmo dia, a Fictor divulgou que pretendia comprar o Master em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos.
A mesma reportagem informava que, para os investigadores, houve vazamento da ordem de prisão por fraudes contra o sistema financeiro nacional, assim como da intenção do BC de liquidar o Master. (Com informações da Folha de S.Paulo)