Sábado, 16 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 15 de maio de 2026
Conclúido nessa sexta-feira (15), o julgamento de dois homens que tentaram matar um segurança negro da Trensurb no centro de Porto Alegre resultou em sentenças de 8 e 9 anos de prisão, respectivamente. O crime foi cometido em 2009, em trecho da avenida Júlio de Castilhos próximo à estação do metrô junto ao Mercado Público (Centro Histórico).
Um júri composto por cinco mulheres e dois homens considerou os réus culpados por tentativa de homicídio com o agravante de motivo torpe. A juíza Lourdes Helena Pacheco determinou que um dos autores cumpra a pena em regime inicialmente fechado, ao passo que seguirá para o semiaberto por ser primário e já estar preso privado de liberdade durante o processo. Os advogados de anbos já ingressaram com recurso.
Atuaram no tribunal o promotor Caio Isola de Aro, com assistência Jeferson Henrique Aguiar Pereira. Já as defesas tiveram Rodrigo de Lima Noble, Tássia Camila Campos Martins e Jorge Luiz Dalmas. Foram ouvidas em plenário duas testemunhas arroladas pela defesa: o assistente técnico e a mãe de um terceiro denunciado, que faleceu antes de ir a julgamento.
Ataque
No processo acusatório formulado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) consta que, por volta das 23h de 21 de outubro daquele ano, três homens proferiram ofensas racistas e agrediram Agnaldo Luiz da Silva após serem por ele advertidos a não urinar em área pública perto da estação. O grupo desferiu socos, chutes, golpes de martelo e facadas, uma das quais atingiu o pescoço da vítima.
“O homicídio só não se consumou porque testemunhas e colegas do segurança reagiram, fazendo com que o grupo fugisse”, relata o site mprs.mp.rs. Além disso, o rápido atendimento médico foi apontado como decisivo para evitar o óbito. Acionada, uma viatura da Brigada Militar (BM) localizou e deteve o trio nas proximidades – eles ainda portavam faca e martelo. A denúncia foi recebida pela Justiça em pouco mais de um mês após o incidente.
Neonazismo
Um dos réus possui histórico de violência e discriminação, incluindo sentença de anos de cadeia – em 2018 – por tentativa de homicídio triplamente qualificada. O motivo foi um ataque de cunho neonazista, cometido em 2005 contra três jovens judeus em frente a um bar no bairro Cidade Baixa. A investigação o apontou como líder de gangue.
As vítimas – que usavam quipá, espécie de chapéu tradicional dos seguidores do judaísmo – sofreram ferimentos graves ao receberem golpes de faca e pedaços de madeira. Uma delas perdeu um rim e parte do pulmão esquerdo.
Condenado a 13 anos de reclusão em regime fechado, o criminoso teve o direito de recorrer da sentença em liberdade. Ele voltou a preso no final de dezembro de 2022, junto com outros integrantes de um núcleo neonazista em um sítio de São Pedro de Alcântara (SC).
(Marcello Campos)