Terça-feira, 03 de Novembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 3 de novembro de 2026
Quanto realmente conhecemos do Guaíba? Sabemos o que existe no seu fundo, como se comportam suas águas e quais os efeitos dos ventos e das chuvas sobre sua qualidade ambiental? As nossas crianças nas escolas sabem de onde vem a água quando elas abrem a torneira?
Essas perguntas ajudam a explicar o nascimento dos Guardiões do Guaíba, uma nova organização da sociedade civil que surge com a missão de proteger, preservar e valorizar o Guaíba, aproximando ciência, sociedade, esporte, poder público e iniciativa privada na construção de soluções ambientais, náuticas, econômicas e sociais.
Unir a teoria com a prática, sociedade civil organizada com o poder público e pessoas físicas e jurídicas dispostas a fazer isso acontecer. (venha colocar seu nome na história do Guaíba)
Ou seja, reunir quem tem competência, conhecimento, recursos e capacidade de agir, contribuindo para uma política integrada e contínua para o Guaíba, com horizonte de 20 a 30 anos, independentemente dos ciclos de governo.
Entre os municípios ribeirinhos, estado, governo federal e entidades, hj está cada um remando para um lado diferente e a canoa não sai do lugar, precisamos centralizar estas ações e políticas públicas.
Nossa proposta é colaborar para que o Guaíba tenha uma agenda permanente, que ultrapasse governos, mandatos e disputas políticas. Uma verdadeira política de Estado, construída com participação social e respeito às responsabilidades de cada instituição.
Entre os desafios está ampliar o conhecimento científico. Por que não realizar uma batimetria completa do Guaíba, conhecer melhor seu leito, monitorar periodicamente a qualidade da água e compreender como os fenômenos climáticos influenciam seu comportamento? Um banco de dados histórico, acessível e confiável, permitiria decisões cada vez mais fundamentadas.
Queremos também levar a ciência para dentro do Guaíba, o Guaíba para dentro das escolas e, sobretudo, porque não as escolas para dentro do Guaíba. Afinal, como esperar que as próximas gerações protejam e valorizem aquilo que pouco conhecem?
A experiência dos clubes náuticos representa outra oportunidade. Velejadores habituados às diferentes condições de vento e navegação podem integrar uma rede organizada de apoio ao resgate e salvamento, mediante termos de cooperação com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil. A experiência das enchentes demonstrou o valor desse conhecimento.
Como pensar em retirar os lixos de dentro do Guaíba se ainda não evitamos que eles cheguem lá? Há muito a fazer na recuperação ambiental, no saneamento, na prevenção da entrada de resíduos pelos arroios, na segurança da navegação e no incentivo ao esporte, lazer e turismo. Preservar o Guaíba não significa impedir seu uso, mas promover uma relação equilibrada, conciliando proteção ambiental, desenvolvimento econômico e benefícios sociais, com responsabilidade e bom senso.
Queremos aproximar universidades, empresas, clubes, entidades, cidadãos e instituições públicas em torno de objetivos comuns, com projetos, responsabilidades e resultados que possam ser acompanhados pela sociedade.
Também precisamos superar a cultura das ações isoladas. Limpar um arroio, produzir uma pesquisa ou promover uma atividade educativa tem valor, mas esses esforços ganham outra dimensão quando integram um planejamento contínuo, com metas, acompanhamento e cooperação entre instituições.
O desafio é grande, mas a oportunidade também. O Guaíba não pertence a um governo, instituição ou grupo. É um patrimônio comum, cuja proteção e valorização exigem compromisso coletivo.
Os Guardiões do Guaíba estão nascendo. E todos estão convidados a fazer parte dessa história.
*Por Thiago Knippling — Guardiões do Guaíba