Sábado, 29 de Agosto de 2026

Home Brasil El Niño: Brasil deve ter ao menos seis ondas de calor até o fim do ano

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O Brasil deve passar por ao menos seis ondas de calor nos próximos meses, segundo uma análise do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais). O fenômeno, que já foi mais concentrado em algumas regiões, hoje atinge o país inteiro ao mesmo tempo. E mais: o número de ondas pode ser ainda maior, já que no último El Niño foram nove.

Uma onda de calor não é aquilo que ocorre em um dia quente, é muito mais do que isso. A onda acontece quando, por um período de pelo menos três dias seguidos, as temperaturas máximas e as mínimas ficam excepcionalmente acima do normal. Ou seja, não há trégua de calor.

A previsão aponta que vamos viver um Super El Niño, que pode entrar para os mais intensos já registrados. Ele deve trazer calor e seca, ao mesmo tempo em que provoca chuvas intensas com cenários diferentes pelas regiões do país. Mas há um consenso de norte a sul: o calor.

A estimativa parte de uma pesquisa que analisou o histórico de 47 anos de registros de temperaturas observando o fenômeno em anos de El Niño. De acordo com a pesquisadora responsável pelo levantamento, Mabel Calim Costa, doutora em ciências do Sistema Terrestre, e que pesquisa ondas de calor no Cemaden, a frequência pode ser ainda maior com a intensificação do El Niño.

“Essa é uma média, mas vimos no último El Niño o país viver nove ondas de calor, com dias extremamente quentes. Com as temperaturas dos oceanos subindo, pode ser que o cenário seja ainda mais intenso e isso traz consequências para o país”, explica.

Ondas de calor mais frequentes e por todo o país

Os dados trazem dois alertas: as ondas de calor estão mais frequentes e mais extensas. Isso significa que o país vai ter não só períodos mais quentes, mas que não haverá lugar no Brasil para onde fugir do calor.

A análise mostra uma mudança de comportamento nas últimas duas décadas. Nos anos 1980 e 1990, os episódios de calor extremo eram raros e mais concentrados em regiões específicas, como o Nordeste.

A partir de 2010, e de forma mais acentuada depois de 2020, o cenário muda: as ondas de calor não apenas ficam mais frequentes, como passam a cobrir uma área maior do território, atingindo o país inteiro ao mesmo tempo em vez de se concentrar em um ponto do mapa.

“A gente percebe que a onda de calor passa a afetar todo o país e isso é uma questão porque estamos falando de calor adicional em áreas já quentes e em áreas que também não tem resiliência para enfrentar temperaturas tão altas”, explica.

O gatilho por trás desses episódios costuma ser a formação de áreas de alta pressão que ficam paradas sobre uma região por vários dias. Esses sistemas funcionam como uma espécie de tampa: bloqueiam a formação de nuvens e a chegada de chuva, e prendem no lugar uma massa de ar seco e quente.

Sem nuvens para fazer sombra e sem chuva para resfriar o ambiente, a umidade do solo vai se esgotando — o que, por sua vez, intensifica ainda mais o aquecimento e pode reforçar quadros de seca já existentes.

O que mudou ao longo das décadas, segundo a especialista, não é necessariamente esse gatilho em si, mas a temperatura de base sobre a qual ele atua. Com o planeta mais quente, cada episódio desse gera picos de calor mais extremos do que geraria décadas atrás.

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