Domingo, 27 de Setembro de 2026

Home Eleições 2026 Eleitorado brasileiro no exterior bate recorde e atrai a atenção de lulistas e bolsonaristas

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Se você concorda que o nosso país não tem que se curvar para os interesses dos Estados Unidos e de nenhum outro país, compartilhe!”, publicou nas redes sociais a conta Núcleo PT de Roma. “Com Washington, a palavra é soberania e ‘interferência’. Mas quando chegamos à China, parceria estratégica. Curioso, não?”, postou o perfil Liga Conservadora Brasil-Alemanha.

Na reta final da disputa presidencial, lulistas e bolsonaristas no exterior se movimentam para mobilizar um contigente recorde de eleitores até o próximo domingo (4). São 918,9 mil brasileiros aptos a votar fora do país, um grupo que não para de crescer e que tem se interessado mais em ir às urnas, apesar dos obstáculos do voto presencial.

Agrupados no sistema eleitoral como se fossem uma 28ª unidade federativa, chamada de ZZ, os brasileiros que moram no exterior já superam o eleitorado de três estados –Roraima (401,5 mil), Amapá (577,5 mil) e Acre (614,4 mil). O crescimento é constante, com alta de quase 360% em 16 anos. Desde 2022, o aumento foi de 31,8%, ante 1,4% do total do eleitorado.

Essa alta reflete a maior presença de brasileiros no exterior. Segundo o Itamaraty, no ano passado o número de brasileiros fora do país atingiu o recorde de 5,3 milhões. Há quatro anos, eram 4,6 milhões.

A tecnologia também ajuda. Desde a pandemia do Covid-19, ficou mais fácil transferir o título para outro país de forma remota, sem precisar ir a um consulado. Com o aplicativo e-título, o imigrante também consegue regularizar sua situação e quitar dívidas com a Justiça Eleitoral.

Ainda assim, votar fora do país exige esforço. Em muitos casos, é preciso viajar até uma embaixada ou posto consular. Na Itália, por exemplo, só é possível votar em Roma e Milão. Na França, em Paris e Marselha. O voto é igualmente obrigatório para quem mora fora.

“As coisas não param para você votar, como no Brasil, e pode ser necessário se deslocar, perder um dia de trabalho. São custos de tempo, energia e dinheiro”, diz Teresa Schneider Marques, professora de ciência política da PUC-RS e pesquisadora  sobre participação política transnacional. “Isso é o que mais explica o fato de muitas pessoas não votarem.”

Nestas eleições, será possível votar em 186 cidades de 134 países. Os que reúnem mais eleitores são EUA, com 265,4 mil, Portugal, com 134,8 mil, e Japão, com 88,4 mil.

A abstenção no exterior é historicamente mais alta do que no território brasileiro, mas isso vem mudando. No segundo turno de 2022, a abstenção foi de 55,4%, quatro pontos percentuais a menos do que em 2018 (59,7%). Como houve aumento no número de eleitores inscritos, foram cerca de 100 mil votos válidos a mais em quatro anos.

Autora de uma pesquisa sobre a participação do eleitorado brasileiro na França em 2022, Schneider Marques identificou um motivo, ao menos local, para o aumento do interesse em ir às urnas. Enquanto estudos de voto transnacional de outros países já mencionaram como incentivos a necessidade do eleitor de reivindicar sua identidade nacional ou o resultado de um aprendizado cívico, seu trabalho encontrou o que ela chamou de “sentimento de urgência”.

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