Sexta-feira, 20 de Maio de 2022

Home Política Em carta a evangélicos, Sergio Moro ataca “ideologia de gênero” e políticas pró-aborto

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O pré-candidato do Podemos à Presidência da República, Sergio Moro, pretende apresentar em fevereiro uma carta de princípios que serão sustentados na corrida ao Palácio do Planalto com forte apelo ao eleitorado evangélico.

Entre os dez pontos incluídos na primeira versão do documento, estão críticas às “políticas da chamada ideologia de gênero”, a defesa de que não haja flexibilizações na legislação relacionada ao aborto e a rejeição à divulgação de candidatos durante as reuniões de culto nas igrejas.

A elaboração do texto está sob os cuidados do advogado Uziel Santana, que foi presidente da Anajure (Associação Nacional de Juristas Evangélicos) e tem coordenado a pré-campanha de Moro nesse segmento.

De acordo com a minuta, estima-se que mais de 56 milhões de brasileiros são fiéis de igrejas tradicionais e neopentecostais.

Santana também atua na organização de um evento em 7 de fevereiro, em Fortaleza, no qual pretende reunir cerca de 200 pastores e líderes dessas denominações para a apresentação da carta de princípios do pré-candidato.

Logo nos primeiros itens, o texto afirma que “as reuniões de cultos promovidas pelas igrejas não serão utilizadas para divulgação de candidatos, pois trata-se de local e momento inapropriado”, e que se buscará “apoio individual das lideranças eclesiásticas e de influenciadores de nicho, mas não será fechado o apoio institucional de igrejas”, para evitar o que se classifica de “voto de cabresto”.

O item 4 da minuta afirma que Moro defenderá “a não ampliação da legislação quanto ao aborto e uma defesa, cada vez maior, da preservação da vida humana em todas as suas manifestações e desde a concepção, assim como dos direitos do feto, conforme ditames da lei brasileira em vigor”.

A carta prega a valorização da família e o respeito às “preferências afetivas e sexuais de cada indivíduo” e atribui ao Estado o dever de “evitar ao máximo invadir a esfera desta liberdade privada” e “preservar os menores da sexualização precoce, fruto de políticas da chamada ideologia de gênero”.

A comunidade LGBTQIA+ rejeita o uso de “preferências” e adota o termo “orientação” ao tratar da sexualidade dos indivíduos.

O documento também trata do enfrentamento à criminalidade e à corrupção, com “efetiva aplicação da sanção penal e coibição do sentimento de impunidade”, além do fomento à “governança, integridade, accountability e o compliance nas relações pessoais, sociais e institucionais”.

Há também itens dedicados à defesa da pluralidade política, à liberdade de expressão e o combate ao discurso de ódio e ao incentivo à violência.

Com este documento, Moro pretende se firmar como um candidato conservador e se mostrar confiável e respeitoso em relação ao segmento evangélico. Por isso há tanto críticas a bandeiras progressistas, como a ampliação da previsão legal do direito ao aborto, quanto ao tratamento das igrejas como “curral eleitoral” e à radicalização do discurso contra as instituições democráticas.

“Os evangélicos não podem repetir o que ocorreu no Chile”, afirma Uziel Santana, ecoando recente artigo em que citou a eleição do esquerdista Gabriel Boric sobre o ultraconservador Jose Antonio Kast.

No texto, o jurista argumentava que os evangélicos chilenos, tal qual os brasileiros, são relevantes, mas não formam maioria suficiente para eleger um presidente e, por isso, precisariam fazer uma “aliança de valores e princípios (…) que também seja pragmática, pensando em vencer as eleições”.

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