Segunda-feira, 26 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de outubro de 2026
O mercado financeiro brasileiro teve uma das sessões mais turbulentas dos últimos anos nesta segunda-feira (26), no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar comercial disparou 8,21% e fechou cotado a R$ 5,403, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, desabou 13,88%, aos 176.608,23 pontos. A intensidade das perdas levou a B3 a interromper as negociações por 30 minutos, pela primeira vez desde março de 2020, quando a pandemia de covid-19 provocou fortes oscilações nos mercados.
A moeda norte-americana registrou a maior alta percentual diária desde janeiro de 1999, quando o Brasil abandonou o regime de bandas cambiais. Durante o pregão, o dólar chegou a R$ 5,605, depois de ter encerrado a sexta-feira (23) cotado a R$ 4,993. Na mínima do dia, foi negociado a R$ 5,392.
A Bolsa também atravessou momentos de forte pressão vendedora. O Ibovespa chegou a cair mais de 15% durante a sessão, recuando para a região dos 169 mil pontos. A queda superou o limite de 10% previsto nas regras da B3 para a suspensão temporária dos negócios. O mecanismo, conhecido como circuit breaker, busca conter movimentos extremos e permitir que os investidores reavaliem suas posições antes da retomada das operações.
A reação dos mercados ocorreu após Lula vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário. O resultado contrariou as apostas de parte dos investidores, que haviam ampliado posições em ativos brasileiros diante da expectativa de vitória do candidato do PL. Após a divulgação do resultado eleitoral, os agentes financeiros passaram a desfazer essas operações.
O movimento também refletiu a preocupação com os rumos da política econômica do próximo mandato, especialmente em relação às contas públicas, à trajetória da dívida e ao controle das despesas do governo. A incerteza sobre as medidas fiscais que serão adotadas nos próximos anos aumentou a percepção de risco associada aos ativos brasileiros.
Juros sobem
A pressão não ficou restrita ao câmbio e à Bolsa. Os contratos de juros futuros registraram forte alta, com algumas taxas avançando mais de dois pontos percentuais em meio à revisão das expectativas dos investidores. A desvalorização do real também trouxe preocupação com os efeitos sobre a inflação, uma vez que a alta do dólar encarece produtos importados e insumos utilizados pela indústria nacional.
Uma eventual aceleração dos preços pode limitar o espaço para novos cortes da taxa Selic pelo Banco Central. Com juros futuros mais elevados, empresas enfrentam custos maiores para captar recursos, enquanto o crédito tende a ficar mais caro para consumidores e investidores.
O desempenho negativo dos ativos brasileiros contrastou com o das bolsas dos Estados Unidos, que encerraram o dia em alta. O movimento reforçou o caráter doméstico da turbulência, associada principalmente à mudança das expectativas políticas e econômicas após o resultado eleitoral.