Terça-feira, 25 de Junho de 2024

Home Brasil Em meio a denúncia de assédio sexual, presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio decide se afastar do cargo

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Em meio a uma investigação de denúncia de assédio sexual, feita por uma técnica de enfermagem, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) , o cirurgião Clóvis Bersot Munhoz, de 72 anos, decidiu se afastar do cargo.

O anúncio foi feito na última semana na página e nas redes sociais da instituição.

“Prezando pela lisura e pelo comprometimento com a transparência, o Cremerj informa que o conselheiro Clovis Bersot Munhoz, que atualmente ocupa o cargo de presidente do conselho, decidiu, junto à diretoria, se afastar. Isso porque será aberta uma sindicância em seu nome para apurar a denúncia sobre assédio sexual veiculada na imprensa”, diz trecho do comunicado.

A nota explicava ainda que o procedimento será encaminhado ao Conselho Federal de Medicina (CFM), que designará o caso para outra regional para que seja feito com isenção e imparcialidade.

“O conselho reafirma seu repúdio por qualquer tipo de assédio e trabalha junto das autoridades para coibir essa prática antiética e criminosa”, encerrava o documento.

O caso

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), Clóvis Bersot Munhoz, está sendo alvo de uma investigação da Polícia Civil sobre um suposto caso de assédio sexual.

De acordo com a Polícia Civil, a ocorrência é investigada pela 9ª DP (Catete) e o médico chegou a ser indiciado pelo crime. O inquérito foi encaminhado para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que pediu mais diligências à polícia. O inquérito corre em sigilo.

O assédio teria acontecido em uma sala de cirurgia de um hospital privado da Zona Sul do Rio. A vítima seria uma técnica de enfermagem que vive em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Em depoimento, a mulher contou que o médico disse que ela era “muito quente” e que precisava ter mais relações sexuais por ter se casado muito cedo. Uma testemunha confirmou o caso à polícia.

O caso foi registrado em julho do ano passado. Entre as insinuações que teriam sido feitas por Munhoz no ambiente de trabalho e que são investigadas pela Polícia Civil, a mulher relata que ele colocou a mão no pescoço dela e chegou a perguntar se ela tinha interesse em trair o marido.

“Se você quiser trair o seu marido, pode ligar para mim”, teria afirmado o médico.

A técnica afirmou que as perguntas indelicadas eram frequentes ao ponto dela ter pedido à chefia direta para não fazer parte de qualquer cirurgia em que Munhoz estivesse presente.

Segundo informações do Cremerj, Munhoz é formado em medicina pela Universidade Gama Filho, é ortopedista e traumatologista, tendo feito residência pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde é professor-assistente.

Cremerj

O Conselho afirmou, por meio de nota, que tomou conhecimento de que o presidente do conselho tinha, em seu desfavor, uma investigação na 9ª DP e que ele era citado em um processo trabalhista.

“Na época, foi instaurado procedimento administrativo no Conselho e foi solicitado esclarecimentos a respeito do caso. Ele prestou todas as informações, frisando não ter proferido nenhuma das palavras ali mencionadas. Também informou que, no referido dia, havia feito outras cirurgias e que estavam presentes na sala outras pessoas, como médicos, enfermeiras e instrumentadores”, disse o Cremerj.

O conselho afirma ainda que, após uma apuração interna, não foi encontrado nada em nome de Clóvis Munhoz e, por isso, ele tomou posse como presidente do Cremerj em fevereiro deste ano.

O Cremerj destacou ainda que repudia qualquer tipo de assédio e trabalha ao lado das autoridades para coibir esta prática.

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