Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2022

Home Mundo Em meio à onda de calor extremo no Sul, cidade argentina enfrenta invasão de besouros

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Uma cidade da Argentina foi invadida por milhares de besouros em meio a uma onda de calor sem precedentes que atinge a região nesta semana.

Como medida para tentar reduzir os efeitos do ataque e tentar enganar os insetos, a prefeitura de Santa Isabel, na província de La Pampa, ordenou apagar a iluminação pública.

Segundo a imprensa local, há registro de danos em propriedades públicas e privadas, e dezenas de fotos nas redes sociais mostram os besouros acumulados em tetos e calhas da cidade.

“É impressionante a quantidade”, disse o chefe de polícia Omar Sabaidini ao site regional Info Huella. “Em alguns casos provocaram danos às construções, na delegacia estragaram a cobertura.”

A medida de apagar as luzes durante a noite é uma aposta de Cristian Echegaray, responsável pela administração local, após reunião com o corpo de bombeiros e polícia.

“Resolvemos apagar a iluminação pública porque esse inseto busca lugares iluminados”, justificou Echegaray ao Info Huella.

Cindy Fernández, funcionária do Serviço Meteorológico Nacional, comentou em sua rede social que os animais – chamados em espanhol de cascarudos – “são inofensivos”, mas que voam descontroladamente e saem trombando com força contra tudo o que estiver pelo caminho.

Os insetos, que pertencem à família Melolonthidae (Coleoptera), vivem parte de seu ciclo como larvas enterradas no solo, e no verão com temperaturas crescentes, os adultos vêm à superfície para iniciar sua reprodução – e depois morrem. Com as altas temperaturas deste ano, essa dinâmica foi alterada.

A esperança da população de Santa Isabel, a 860 km de Buenos Aires, é de que os insetos comecem a evitar a área nos próximos dias, por conta da falta de iluminação.

O engenheiro agrônomo Gabriel Lara afirmou que os besouros – assim como outros insetos – são atraídos pela luz, no fenômeno conhecido como fototaxia.

Enquanto isso, moradores e autoridades locais passam o dia retirando os cascudos e enchendo caixas e carrocerias com milhares de besouros para retirá-los da área urbana.

Calor extremo

A onda de calor intensa que atinge a região central da América do Sul nesta semana pode fazer com que cidades na Argentina, Uruguai e Paraguai registrem temperaturas recordes, próximas dos 50ºC. Causado por uma massa de ar quente e seca, o fenômeno repercute também no sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, onde os termômetros podem chegar a 40ºC.

Os primeiros sinais do aquecimento já são sentidos desde segunda-feira (10), quando a cidade de San Antonio Oeste, na Patagônia argentina, registrou 42,8ºC, e a província de Mendoza foi colocada sob alerta vermelho.

Na terça-feira (11), a previsão de máxima de 37ºC para Buenos Aires foi superada e os termômetros marcavam 40ºC por volta das 16h do horário local – a maior temperatura desde 1995.

Segundo o Serviço Meteorológico Nacional (SMN), a capital argentina enfrentou seu quarto dia mais quente em 115 anos, ou desde que os registros passaram a ser arquivados em 1906.

A expectativa é que o calor só cresça nos próximos dias. Os locais mais quentes da Argentina devem registrar entre 45ºC e 47ºC, de acordo com previsões feitas pela MetSul. Os termômetros uruguaios devem ficar entre 41ºC e 43ºC.

Já no Brasil, as temperaturas mais altas no Rio Grande do Sul devem ser marcadas no Oeste do estado, com máximas entre 10ºC e 15ºC acima da média para esta época do ano. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso de perigo para 216 municípios do RS em razão da onda de calor.

De acordo com o modelo feito pela MetSul, a área da cidade de Uruguaiana pode ver uma escalada de calor com máximas de 41ºC e 42ºC nos próximos dias. Até regiões mais frias, como a Serra Gaúcha, podem ter marcas extremas no final da semana, com máximas de até 37ºC em Caxias do Sul e ao redor dos 40ºC nos vales de Farroupilha e Bento Gonçalves.

Em Porto Alegre e região, o calor será maior no final da semana e no próximo fim de semana, com marcas ao redor ou acima dos 40ºC e índices de radiação ultravioleta entre 11 e 16. A Defesa Civil do município pede cuidado extremo e recomenda que a população se proteja do sol, mantenha a hidratação constante e evite exercícios entre 10h e 16h.

A maior temperatura já registrada no Rio Grande do Sul, de acordo com os dados oficiais contabilizados desde 1910, foi de 42,6ºC, nos verões de 1917, em Alegrete, e de 1943, em Jaguarão.

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