Quinta-feira, 26 de Maio de 2022

Home em foco Entenda a queda do euro para o menor patamar em quase 2 anos

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O euro atingiu nesta semana o menor patamar frente ao dólar desde 17 de maio de 2020, período que marca o início da crise econômica mundial causada pela pandemia do coronavírus. A moeda europeia chegou a ser cotada a US$ 1,085 naquela sessão, após cair cerca de 3,3% somente nesses primeiros sete dias de março. No ano, a divisa cede 4% em relação à moeda norte-americana e até esta quarta (9), era negociada a US$ 1,11.

Contexto

A guerra entre Rússia e Ucrânia que espalhou pânico no Leste europeu está no centro deste movimento. É importante lembrar que 40% do gás natural utilizado na Europa é produzido pelo país comandado por Vladimir Putin. O conflito, portanto, alimenta os temores em torno de uma crise energética.

“O temor de escassez energética, devido às possíveis sanções ao petróleo e gás da Rússia, pode ameaçar a recuperação econômica do continente. Além disso, um aumento de US$ 20 do petróleo, segundo estimativas do Goldman Sachs, reduziria o PIB da zona do euro em 0,6 ponto percentual (0,6%)”, explica Alexsandro Nishimura, economista, head de conteúdo e sócio da BRA.

Nesta conjuntura, o risco de uma estagflação no velho continente se torna mais latente. O termo é usado para definir uma situação econômica bastante complicada, em que há inflação alta e baixo crescimento.

“Esse cenário se torna mais provável com a permanência do preço do petróleo acima dos US$ 120, junto com uma tensão que não cede”, explica Luciano Costa, economista-chefe da Kilima Asset. “Isso leva os investidores a diminuírem a posição em euro e aumentarem as posições em dólar, para fugir desse cenário de pouco crescimento e inflação alta.”

Tempestade perfeita

Contudo, não é apenas o enfrentamento bélico que contribui para a baixa da moeda europeia. De acordo com Bruno Madruga, sócio e head de Renda Variável da Monte Bravo Investimentos, a tempestade perfeita que recai sobre euro envolve também as expectativas de elevação de juros diante da escalada da inflação global.

No início de fevereiro, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou que poderia aumentar as taxas. “Vários dirigentes do BCE chegaram a um acordo sobre elevar as taxas de juros da zona do euro, taxas estas que estavam paradas há quase 10 anos. Isso tem tornado o euro mais fraco frente ao dólar”, afirma Madruga. “Está gerando muitas dúvidas sobre o efetivo crescimento da zona do euro.”

Apesar de também ser esperado que os EUA elevem os juros, para os investidores a economia americana parece mais resiliente do que a europeia. “As coisas são mais lentas no bloco europeu do que no mercado americano. São várias economias com uma única moeda [euro] e o ‘ajuste das velas’ no cenário econômico demora um pouco mais”, diz Madruga.

Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, aponta para o fortalecimento do dólar norte-americano não só em relação ao euro, mas em comparação às principais divisas internacionais. Essa situação fica clara no avanço do índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes.

O indicador está em alta de 3,36% em 2022. “Com o dólar se fortalecendo, a tendência é que o euro fique mais fraco. Por implicações da guerra, a expectativa é que a Europa cresça menos que os EUA pela questão da energia, entre outros fatores”, explica Costa.

Internacionalização

Na contramão das principais economias, o mercado brasileiro segue se destacando. Na esteira do aumento expressivo do fluxo estrangeiro para a B3, o Ibovespa se descolou dos pares estrangeiros e está em alta de mais de 6,9% no ano. O real também está avançando 9,32% frente ao dólar e 14,33% frente ao euro no período.

“Nosso poder de troca na moeda está ficando mais positivo. Por isso, que o euro que se via a R$ 6,20, vemos agora na faixa de R$ 5,40. Pessoas que querem fazer internacionalização de capital têm oportunidade agora com dólar na média de R$ 5 e euro numa paridade mais próxima ao dólar”, afirma Costa.

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