Domingo, 27 de Setembro de 2026

Home Mundo Entre afagos e brindes com Trump, ajuda da China ao Irã causa desconforto na visita de Xi

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Em uma visita a Washington marcada mais pelo simbolismo do que por anúncios concretos, um tema espinhoso surgiu na reunião entre o presidente da China, Xi Jinping, e seu anfitrião, o líder americano, Donald Trump: as relações entre Pequim e o Irã, protagonista de uma guerra inconclusiva lançada pelo republicano em fevereiro. Dados comerciais apontam para um aumento nas trocas comerciais entre os dois países, incluindo petróleo e manufaturados, e serviços de inteligência apontam para a cooperação com fins militares. Mas confrontar o governo chinês não é uma prioridade imediata para a Casa Branca.

Antes do encontro de quinta-feira, membros do governo Trump deixaram em segundo plano as cobranças sobre os iranianos. Marco Rubio, secretário de Estado, disse que os líderes “conversariam sobre temas relevantes” de maneira franca. O Departamento do Tesouro citou sanções aplicadas contra instituições chinesas acusadas de violar sanções. E o presidente preferiu ressaltar a relação de amizade que acredita ter com Xi para se afastar das críticas, vindas até de sua base.

—O presidente estabelecerá relações com qualquer pessoa para promover nossos interesses nacionais e fechar bons acordos para o povo americano — disse Anna Kelly, porta-voz da Casa Branca, citada pelo portal The Hill.

A portas fechadas, Trump se permitiu ser mais duro: em entrevista à rede CNBC, o embaixador dos EUA na China, David Perdue, afirmou que o presidente alertou Xi que “qualquer ajuda que oferecessem ao Irã — seja direta ou indireta, envolvendo inteligência, peças ou equipamentos militares — seria totalmente inaceitável”.

— O presidente Trump reiterou isso ontem (quinta-feira) de forma muito clara. É uma mensagem que vem sendo reforçada constantemente — declarou Perdue à CNBC, antes de retomar o atual tom conciliatório do governo. — Quero dizer, foi uma conversa muito franca e aberta; a cada diálogo, acredito que percebemos um nível diferente de proximidade ao tratar dessas questões complexas que estamos enfrentando.

A relação comercial chinesa com o Irã é bem mais antiga do que a “Operação Fúria Épica”, e tem no petróleo o protagonista. A China é a maior compradora de Teerã, absorvendo 80% das exportações, e tem ignorado o aperto das sanções internacionais, incrementadas em 2018 com a política de “Pressão Máxima”. Uma complexa rede de empresas, instituições bancárias e intermediários coordena as operações no limite da lei, por vezes dando ao petróleo iraniano novas denominações de origem.

Refinarias independentes são o principal destino, e uma vez que servem majoritariamente o mercado doméstico, ficam blindadas de restrições financeiras externas. A estratégia é amparada por um pacto estratégico de 25 anos firmado em 2021 entre Pequim e Teerã. Segundo dados da consultoria Kpler, o volume diário exportado para a China era de 1,57 milhões de barris em fevereiro, mas diante do bloqueio do Estreito de Ormuz, em agosto ele ficou pouco acima de 500 mil barris.

Nos últimos meses, a pauta comercial de Irã e China sofreu mudanças estratégicas. De acordo com o Wall Street Journal, citando documentos da aduana iraniana, houve mais de 1,3 mil envios de cargas chinesas consideradas de “uso duplo” — civil e militar — para clientes iranianos. A lista inclui componentes eletrônicos, de exportação restrita. No aeroporto Imam Khomeini, o principal do país, caixas com motores, peças de aeronaves e equipamentos de navegação por GPS se tornaram uma visão recorrente na alfândega, declara o jornal.

Empresas chinesas também enviam produtos químicos usados na produção de combustíveis para mísseis balísticos, e uma delas foi incluída na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA. Diante do impasse naval em Ormuz, os voos entre os dois países foram incrementados, com a companhia Mahan Air, uma das mais sancionadas do planeta, atuando como principal transportadora.

Os iranianos apelam ainda para um sistema de permuta, em vigor há alguns anos, e que permitiu a aquisição de bilhões de dólares em produtos restritos, incluindo itens militares, como revelou a agência Reuters, no início do mês. Pequim rejeita as sanções americanas, afirmando que elas “não têm fundamento no direito internacional e não são autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU”.

— Francamente, se a Casa Branca tivesse me pedido um conselho, eu teria sugerido que o presidente não convidasse Xi Jinping a Washington para uma recepção tão suntuosa aqui nos Estados Unidos da América, dadas todas as questões preocupantes que temos em relação ao presidente Xi e ao Partido Comunista Chinês — disse o senador republicano Roger Wicker, citado pela Associated Press e preocupado, assim como colegas no Congresso, com os impactos dessa parceria no campo de batalha no Golfo. (Com informações do portal O Globo)

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