Domingo, 27 de Setembro de 2026

Home Mundo Na ONU, a presidente da Venezuela bajula Trump e promete eleições que não ocorrerão

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Em discurso na Assembleia-Geral da ONU, a presidente cada vez menos interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o país iniciou um “processo de transformação democrática para o seu renascimento” e que mantém diálogo com a oposição para a realização de eleições. Só faltou dizer quando.

Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, após encontrar-se com Delcy, disse que a realização de eleições livres na Venezuela segue sendo uma prioridade para os EUA. Antes, porém, segundo Rubio, o país precisa cumprir uma agenda de três fases, que vai da estabilização econômica ao estabelecimento de uma infraestrutura eleitoral. Sem isso, as eleições não podem acontecer, na avaliação de Rubio.

A verdade é que, passados mais de nove meses da controversa ação militar dos EUA em solo venezuelano que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, hoje confinado a uma prisão de Nova York, não há, a despeito do malabarismo retórico de Delcy e Rubio, nenhum sinal de que a população da Venezuela poderá escolher seu presidente em eleições livres e transparentes.

A relação entre Delcy e seu atual padrinho político, o presidente dos EUA, Donald Trump, parece cada vez mais sólida. Não à toa, em sua passagem pela ONU, em Nova York, Delcy não citou Maduro, seu outrora adorado líder, uma vez sequer.

Embora ninguém lamente o fim melancólico do autoritário Maduro, a não ser os que lucravam com sua ditadura, é evidente que o ocaso dele mostrou-se extremamente conveniente para sua ex-escudeira Delcy, bem como para Trump.

Para o presidente dos EUA, pouco importa se a atual cúpula no poder na Venezuela era partidária de Maduro e tenha promovido censura e repressão violentas. Desde que Delcy e seu entorno sigam entregando a Trump o que ele deseja – como o direito de os EUA explorarem mais de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano –, ela seguirá entronizada no poder bancada por Trump, sem que haja necessidade de eleições.

Enquanto isso, María Corina Machado, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 que é também o principal nome da oposição da Venezuela, segue no exílio. De acordo com um assessor dela, Corina foi impedida de voltar ao seu país de origem ao menos sete vezes.

Entre os opositores que vivem na Venezuela, a relação de compadrio entre Delcy e Trump tem provocado um raro momento de concordância. Tanto chavistas quanto oposicionistas avaliam que Delcy se ajoelhou a Trump, sacrificando os reais interesses dos venezuelanos.

Por ora, o grupo com maior força a pressionar para que uma data para a realização de eleições seja determinada vem justamente de membros do partido de Trump, o Republicano, da Flórida. Como esse Estado americano abriga parte significativa da diáspora venezuelana, congressistas da região entendem, corretamente, que as eleições precisam ocorrer.

Eles apoiam proposta de um senador republicano de Ohio, Bernie Moreno, de que o pleito seja realizado em 24 de julho, dia de nascimento de Simón Bolívar, líder da independência venezuelana. Como já não é possível falar de Venezuela independente, nada garante que o simbolismo se converta em realidade. (Coluna de opinião do portal Estadão)

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