Segunda-feira, 23 de Maio de 2022

Home Economia Escalada da ômicron: quais os riscos para a economia?

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O crescimento de casos de Covid provocado pela variante ômicron pode se tornar mais um entrave para a atividade econômica global e, consequentemente, para o Brasil.

Os analistas ainda têm dificuldade para mensurar o tamanho do impacto econômico dessa nova onda de casos, mas alertam que ela pode se refletir em mais inflação no mundo e trazer algum prejuízo para a indústria e o setor de serviços, o principal da economia.

A maior preocupação envolvendo a ômicron está relacionada com a facilidade que ela tem se espalhar rapidamente entre a população e afetar as cadeias de produção global. Um cenário já conhecido na fase mais crítica da pandemia. Com o aumento de casos da doença, as linhas de produção foram interrompidas e reduzidas, pressionando os custos em todo o mundo.

“Eu vejo um potencial inflacionário para a ômicron”, afirma Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco Fibra. “Na China, por exemplo, com a política de ‘Covid zero’, já houve uma elevação do custo do frete no transporte de mercadorias.”

Por ora, no entanto, não se espera uma piora significativa da atividade econômica dado que são setores pontuais que têm sofrido mais com os desdobramentos da doença e não há no radar ondas de fechamentos da economia como em outros momentos da doença.

O que colabora para a manutenção das previsões é o fato de a ômicron ter se mostrado menos letal do que outras variantes, diante da ampla vacinação.

“Há uma limitação para a atividade do ponto de serviços e indústria com a necessidade de afastamento de pessoas” afirma Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências. “Não deve ser algo dramático, mas é mais um risco que pode enfraquecer a atividade no período em que essa situação durar.”

Os impactos inflacionários no mundo

No ano passado, com a interrupção das cadeias e produção e disparada dos preços das commodities, a inflação se tornou um problema global, embora a economia brasileira também tenha sofrido por questões locais.

No Brasil, o quadro inflacionário foi turbinado pela desvalorização do real em relação ao dólar, resultado das incertezas fiscais e políticas que afetam o País.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os preços ao consumidor subiram 7% em 2021, maior avanço anual em 39 anos.

No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 10,06%, na maior alta desde 2015. O resultado ficou bem acima do teto da meta do governo, que era de 5,25%.

“A gente aprendeu que a pandemia não é desinflacionária. Ela é inflacionária”, diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do banco Fator. “Qualquer efeito da (ômicron) será para dificultar a melhora das condições das cadeias produtivas. Qualquer dificuldade vai criar uma situação pior.”

Na projeção dele, o IPCA deve encerrar este ano em 5,5%, mas a piora da situação sanitária coloca um viés de alta nessa previsão.

O que dizem os números até agora

Mesmo sem a certeza de qual será o impacto da variante ômicron, o cenário econômico do Brasil já é bastante difícil. Neste ano, o País deve lidar com uma estagnação do PIB, inflação persistente e juros em alta.

Nas projeções dos analistas consultados pelo relatório Focus, do Banco Central, o IPCA deste ano deve ficar em 5,03%, novamente acima do teto da meta do governo, que é de 5%. A taxa básica de juros (Selic) deve subir a 11,75% ao ano – atualmente, está em 9,25%.

Para o PIB, as previsões são de uma alta de apenas 0,28% – em 2021, os analistas estimam que o Brasil tenha crescido 4,5%.

“(A variante ômicron) Reforça o cenário de estagnação que temos visto desde o segundo semestre do ano passado, mas lembrando que o impacto é de atrasar a retomada em serviços e não entrar em algo mais grave”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

“Certamente (a ômicron) é mais um elemento a contribuir para o cenário de economia estagnada”, diz Vale.

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