Terça-feira, 02 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 1 de junho de 2026
A escassez de chips causada pela alta demanda dos servidores de inteligência artificial está pressionando preços de produtos como celulares. Diante disso e de um estágio de maturidade atingido pelos aparelhos nos últimos anos, fabricantes estão elevando o ciclo de vida dos celulares. Como consequência, a venda de smartphones em 2026 deve recuar 11,5%, na comparação com 2025, de acordo com projeção da consultoria IDC.
A escalada de preços dos aparelhos causa dois efeitos no mercado global: o aumento do tempo para troca de dispositivo e a busca por usados. Por isso, as empresas estão ampliando o tempo de oferta de atualizações de software aos smartphones.
Camila Santos, analista da consultoria americana IDC, afirma que a escassez global de chips de memória ainda não se refletiu plenamente no mercado nem para as fabricantes nem para os produtos nas lojas por causa do estoque. No entanto, esse cenário deve mudar a partir de agora.
A especialista diz que o cliente ampliou o tempo de troca de smartphone no período da pandemia. Antes, levava um ano e meio para que ele buscasse um novo aparelho, prazo que subiu para três anos, em média.
“Um consumidor da Apple pode trocar de celular em um ano e meio ou dois anos porque ele está interessado numa atualização ou numa versão nova do aparelho. Mas a maioria da população brasileira troca de smartphone aproximadamente a cada três anos.”
Camila acrescenta que aparelhos de menor valor, na faixa de R$ 1 mil, devem ser os mais impactados, com queda de vendas de 42% neste ano. Os aumentos são estimados entre R$ 200 e R$ 300. “Vai ser um pouco difícil encontrar um dispositivo de até US$ 200 (cerca de R$ 1 mil pelo câmbio atual) no Brasil no segundo semestre, quando o mercado deve estar estruturado com os novos preços de memória.”
Na Samsung, o ciclo de vida médio dos produtos aumentou de quatro para até sete anos. Ou seja, quem comprar um aparelho da marca hoje pode usá-lo até 2033 – ainda que componentes como a bateria possam precisar de reposição com o passar do tempo. Segundo Renato Citrini, gerente sênior de produtos na Samsung, os smartphones topo de linha da empresa, Galaxy Z e S, são os que terão maior oferta de atualizações, tendo o ciclo de vida de sete anos. Os aparelhos da linha intermediária Galaxy A receberão atualizações por seis anos.
O executivo conta que oferecer atualizações para aparelhos que são lançados anualmente gera um maior volume de trabalho para os times de pesquisa da companhia no País e, sem revelar valores, afirma que isso aumenta os custos da operação. “Dar sete anos de atualizações para o Galaxy S26 quer dizer que até 2033 teremos pessoas do nosso time de pesquisa e desenvolvimento trabalhando nelas.
A Apple também foi alongando, nos últimos anos, o ciclo de vida do iPhone. A empresa oferece atualizações de segurança por até sete anos, embora não seja explícita na divulgação desse prazo. Em algumas situações, o tempo de suporte a novas atualizações chega a ser ainda maior. O caso recente que demonstra esse esforço foi o do iPhone 6s, que recebeu uma atualização em janeiro deste ano, mesmo sendo um aparelho lançado há dez anos. Procurada, a Apple não se pronunciou.
A Motorola, que já foi conhecida por ser ágil na oferta de atualizações de software quando pertencia ao Google, hoje nas mãos da Lenovo, mantém um ciclo de atualização de sistema dos seus smartphones de dois anos.
“Estudos de mercado indicam que, em média, o brasileiro troca de smartphone a cada 24 meses. A partir deste comportamento, estruturamos nossas políticas de suporte, para cada perfil de usuário, buscando equilibrar segurança, desempenho, melhor experiência de uso, sem esquecer da necessidade de oferecer também o melhor custo x benefício”, informou a empresa, em nota.
Usados
A revenda de aparelhos também tem crescido com o amadurecimento e o encarecimento do mercado. Segundo dados da IDC, o mercado de revenda de celulares no País deve subir 4,5% neste ano. Nesse cenário, se beneficiam empresas como Trocafy e Trocafone, mas também as marcas que aceitam usados na troca por novos produtos, como é o caso da Samsung e da recémchegada Jovi, de origem chinesa. “Ao reinserir aparelhos no ciclo produtivo, conseguimos reduzir desperdícios e ampliar o tempo de uso dos dispositivos”, afirma Andre Varga, diretor de produtos da Jovi. (As informações são de O Estado de S. Paulo)