Terça-feira, 09 de Agosto de 2022

Home Brasil Escolas brasileiras enfrentam abandono de crianças que ainda não aprenderam a ler

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Crianças na fase de alfabetização (5 a 9 anos) e crianças mais pobres estão entre as mais afetadas pelas perdas de tempo de ensino ocorridas durante a pandemia, aponta um novo estudo recém-publicado pela FGV Social, que levanta a preocupação com “sequelas de longo prazo bastante fortes” nas futuras gerações.

A partir de dados do IBGE (das pesquisas Pnad Covid e Pnad Contínua trimestral), os pesquisadores Marcelo Neri e Manuel Camillo Osorio observaram que, entre as crianças de 5 a 9 anos, houve o maior aumento de evasão escolar, ou seja, de crianças que deixaram de ser matriculadas na rede de ensino – fazendo o Brasil retroceder mais de uma década nesse indicador.

É nessa faixa etária que as crianças estão finalizando a educação infantil e cursando os primeiros anos do ensino fundamental – portanto, passando pelo período crítico da alfabetização. A evasão, que antes da pandemia (até o último trimestre de 2019) era de 1,41% entre as crianças de 5 a 9 anos, subiu para 5,51% no último trimestre de 2020.

Quase um ano depois, no terceiro trimestre de 2021, quando muitas escolas já estavam ao menos parcialmente abertas, mesmo assim a evasão se manteve em patamares bem acima do nível pré-pandemia, em 4,25%.

Na fase de alfabetização, a presença próxima do professor costuma ser particularmente importante. Além disso, as crianças dessa faixa etária são as mais afetadas pela pobreza e pela desconectividade no Brasil, aponta o pesquisador – e esses fatores podem ajudar a explicar o distanciamento da escola no momento em que o ensino migrou para o ambiente remoto.

Para o diretor da FGV Social e ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, o fato de tantas crianças dessa idade terem saído da escola e muitas não terem voltado ainda reforça a importância de se vacinar essa faixa etária.

Ter os filhos vacinados pode dar segurança para os pais voltarem a matriculá-los e para favorecer a recuperação escolar das crianças mais vulneráveis e que mais perderam aulas e estímulos, avalia o pesquisador. “Mas não temos todo o tempo do mundo para isso”, argumentou. “Então, quanto mais crianças dessa faixa etária forem vacinadas nos próximos dois meses, maiores as chances de mitigar a evasão”, ressaltou.

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