Quinta-feira, 30 de Junho de 2022

Home Tecnologia Espaço sideral é a nova fronteira do mundo da tecnologia

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O espaço sideral é a nova fronteira do mundo da tecnologia. Após o sucesso das viagens espaciais de Jeff Bezos (Blue Origin) e Richard Branson (Virgin Galactic) e do primeiro voo com civis da SpaceX, de Elon Musk, começa a florescer um ecossistema de startups e companhias focadas em tecnologia espacial. Parte das spacetechs, nome dado a essas empresas, foi visto na semana passada na Consumer Electronics Show (CES), principal feira de tecnologia do mundo, que voltou a uma edição presencial após hiato pandêmico em 2021.

A Sierra Space foi o principal nome. Focada no que chama de “nova economia espacial”, a companhia expôs a Dream Chaser, espaçonave reutilizável de nove metros de comprimento projetada para levar pessoas e cargas a destinos de baixa órbita terrestre, como estações espaciais. A Sierra já assinou um contrato com a Nasa para transportar alimentos e experimentos científicos, com previsão de entrar em operação em janeiro de 2023.

A empresa também desenvolve o Life, acrônimo para “ambiente integrado flexível”, que tem como com objetivo permitir que astronautas possam permanecer em baixa órbita por dias, semanas ou meses. Como se fosse uma casa com vista para a Terra, o projeto (de 8 metros de diâmetro, três andares e capacidade para até 12 pessoas) tem quartos, área de exercícios e até uma horta.

“Estamos na CES para dizer ao mundo que o espaço está disponível para todos”, diz Kenneth Shields, diretor do programa de utilização espacial da Sierra, ao Estadão. A spacetech diz que tem como principal serviço o space as a service, jargão para dizer que a companhia provê soluções espaciais, sem que terceiros tenham de adquirir um bem. Isso significa que uma pessoa não precisa ter um foguete para dar uma voltinha à Terra, mas que pode contratar o serviço separadamente. “Países e agências espaciais podem ter um programa espacial, sem ter de levantar toda a infraestrutura envolvida”, diz Shields.

A Sierra não é a única na feira. Quem apareceu também foi Zero G, que usa um avião Boeing 727-200 modificado para levar passageiros à gravidade zero. A façanha é feita ao colocar a aeronave para voar parabolicamente (como se fosse uma montanha-russa, com subidas e descidas controladas), o que permite flutuar e dar cambalhotas em peso zero por até 30 segundos.

Não é algo totalmente novo, mas que ganhou novo fôlego após os voos espaciais dos bilionários. A companhia disse à reportagem que todos os voos, partindo de diversas regiões dos EUA, estão esgotados até junho deste ano. O preço por passageiro é de US$ 8,2 mil.

A euforia também está levando nomes tradicionais a olharem para o espaço – ainda que não façam isso por meio de foguetes e trajes espaciais. A Sony expôs o protótipo do Starsphere, um satélite de baixa órbita que traz uma câmera para usuários, aqui da Terra, operarem e tirarem fotos do planeta azul e das estrelas.

A Amazon anunciou que a Alexa deve ir para a Lua, o que permitirá testar como essas assistentes virtuais podem ajudar em viagens fora de órbita. Já a alemã Bosch desenvolveu uma inteligência artificial que irá detectar pelo som se peças de estações espaciais precisam de reparo.

Decolagem

A disseminação das spacetechs também está ligada ao aumento de investimentos no setor. Segundo a firma de investimento Space Capital, foram injetados US$ 200 bilhões em 1,5 mil empresas nos últimos 10 anos, sendo US$ 7,6 bilhões em companhias criadas a partir de 2020.

No futuro, a ida ao espaço pode permitir a extração de minerais como o ferro de asteroides, abrindo um novo mercado e rotas comerciais, de forma similar às descobertas do Novo Mundo. “Isso poupa a Terra de ser explorada, diminuindo o impacto aqui”, diz Cassio Leandro Dal Ri Barbosa, astrônomo e professor do Centro Universitário FEI.

Ao mesmo tempo, os voos dos bilionários em 2021 trouxeram publicidade a algo antes visto como uma loucura: o turismo espacial.

“As viagens do último ano trouxeram mais atenção do que nunca para a indústria”, diz Lesley Rohrbaugh, especialista em tendências da Consumer Technology Association (entidade organizadora da CES). “Mas as aplicações dessas inovações vão além. Elas podem criar oportunidades para tornar a Terra melhor”.

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