Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de agosto de 2026
O futuro das hidrovias gaúchas foi o tema central, nessa quarta-feira (26), de nova edição do evento “Sergs Debates”, realizado em Porto Alegre pela Sociedade de Engenharia do Estado do Rio Grande do Sul. Em destaque, pautas como dragagens, desassoreamento e navegabilidade, na visão de especialistas e representantes de instituições ligadas aos segmentos portuário e de navegação, dentre outros protagonistas.
Eles compartilharam preocupações e sugeriram estratégias para que os rios possam ser utilizados com segurança, vantagens logísticas e desenvolvimento sustentável tantos sob o ponto-de-vista econômico quanto ambiental. Trata-se de um assunto cuja discussão tem sido ampliada desde as enchentes históricas de 2024, que sinalizaram a necessidade de se cuidar dos rios não apenas onde desembocam, mas também de seus leitos e cabeceiras.
Manifestações
Aberto pela vice-presidente da Sergs, Tatiana Tedesco, o debate evidenciou o quanto o tema passou está em voga e necessita avançar. “Precisamos ter estudos atualizados, monitoramento e dados em tempo real sobre o comportamento das águas, o assoreamento e os sedimentos”, defendeu Daniela Cardeal, conselheira da entidade e mediadora do evento.
Para o presidente da Hidrovias RS, Wilen Manteli, a discussão desse tipo de questão relacionada a infraestrutura é fundamental para qualquer região que pretenda se desenvolver: “Temos vários desafios nos modais rodoviário, ferroviário e aquaviário. As soluções começam com investimentos que já têm sido feitos, mas ainda há muito espaço para crescer”.
Para diretor de Hidrologia da empresa Rhama Analysis, Carlos Tucci, o volume de investimento é um tópico importante a ser debatido. Ele lembrou que essa preocupação é histórica e pode ser observada desde o movimento de criação, há mais de 50 anos, do hoje extinto Departamento de Esgotos Pluviais (DEP). Ele acrescentou:
“As dificuldades existentes são de gestão e investimento. “O custo não está só no ato de retirar o sedimento, pois também é necessário o descarte ecologicamente responsável desses sedimentos. Estima-se em 45 dólares por metro-cúbico o custo para retirar e dispor esse material”.
Já o diretor de Meio Ambiente da Portos RS, Henrique Ilha, fez um relato das dragagens realizadas de 2024 a 2026 e pontuou os desafios e oportunidades ao longo deste período. Segundo ele, a necessidade é maior que a qualificação contínua dos canais de navegação:
“Precisamos desse cuidado permanente, mas é fundamental trabalhar na expansão e diversificação do uso das hidrovias, na ampliação dos terminais e portos interiores, na construção de um sistema aquaviário resiliente às mudanças climáticas”.
O comandante da Capitania Fluvial de Porto Alegre, Leandro Ferreira de Almeida, defininiu como prioridade da Capitania dos Portos a navegação segura. Por esse motivo, tem sido acompanhado de forma permanente o esquema de dragagem e demais processos relacionados:
“Participamos do monitoramento e das discussões para que possamos, com essa troca de ideias contribuirmos uns com os outros nas ações que venham a melhorar e auxiliar na segurança da navegação”.
A Sociedade Amigos da Marinha de Porto Alegre (Soamar-POA) é outro elo dessa corrente que une a cidade ao Guaíba. Presidente da entidade, Manfredo Flöricke abordou o olhar da navegação de recreio, que também sofre com os impactos das cheias e o assoreamento de áreas utilizadas para a prática de vela e remo:
“Nossas raias de regata são longe do canal, exatamente pra não ter perigo, para garantir a segurança da navegação. A raia do Cristal e a raia de Ipanema hoje estão praticamente inviáveis à prática esportiva, com registros frequentes de acidentes ou danos em barcos. Porto Alegre é considerada pela Confederação Brasileira de Vela um centro de excelência na modalidade e, se nós não fizermos nada, vamos perder essa condição”.
(Marcello Campos)
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