Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026

Home em foco “Esquerda precisa dialogar com nova classe trabalhadora”, diz ministro do PSOL

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Há três meses no cargo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, levou um tom mais político para o núcleo do governo. Na lista de suas missões neste ano eleitoral de 2026 está a de dar uma “chacoalhada” na base social da esquerda perdida para a direita e atrair trabalhadores que têm flertado com o bolsonarismo, como aqueles das plataformas de aplicativos.

“A esquerda precisa aprender a dialogar com a nova classe trabalhadora”, disse Boulos em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, fazendo uma autocrítica global. “No mundo, a esquerda está lidando com esse mesmo dilema. E nós temos que repensar, inclusive, a relação de resistência que se construiu entre a esquerda e o povo evangélico”.

Ex-líder dos sem-teto, o novo ministro virou um dos principais nomes do Palácio do Planalto para enfrentar a artilharia bolsonarista. O estilo combativo aparece até mesmo na parede de seu gabinete, onde há um brasão com a frase Madeira que Cupim não Rói, uma homenagem ao escritor Ariano Suassuna.

Nesta temporada, os dois principais alvos de Boulos são o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na sua avaliação, ainda não está certo qual deles será o desafiante de Lula.

Veja os principais temas abordados na entrevista de Boulos para o jornal O Estado de S. Paulo.

Avaliação do governo

Sobre a mais recente pesquisa Genial/Quaest, onde a avaliação negativa do governo ter superado a positiva em relação a anterior, o ministro afirmou que o levantamento também mostrou Lula como favorito para a reeleição em todos os cenários.

“Hoje tem uma situação da polarização no Brasil e no mundo. O eleitor que se define como de direita vai desaprovar o governo do presidente, por mais que ele possa sentir melhora na vida dele, por uma razão da polarização ideológica. Acabou a era do consenso”.

Venezuela

Boulos não acredita que o tema da Venezuela, onde 51% dos brasileiros acham que Lula errou ao condenar as ações de Trump no país vizinho, possa desgastar Lula na campanha.

“O que o presidente Lula fez foi defender a paz no continente e dizer que nem o Brasil nem a América Latina devem admitir colonialismo. Ele não reconheceu a legitimidade da eleição do (Nicolás) Maduro. O Brasil questionou a entrada da Venezuela no Brics e (a Venezuela) não entrou por causa disso. Patriotismo não é só na hora de levantar bandeira em manifestação”.

Eixo eleitoral

“A eleição vai ser marcada por três grandes temas. Primeiro: soberania nacional. Haverá uma discussão com a sociedade se a gente quer um Brasil soberano ou como uma colônia dos EUA. Quem usou o bonezinho do MAGA (sigla em inglês para ‘Faça a América Grande De Novo’) terá que se explicar. Segundo tema: justiça tributária. Esse é o governo que, pela primeira vez, mexeu no vespeiro de taxar super rico e zerar o Imposto de Renda (para quem ganha até R$ 5 mil). Qual é a posição daqueles que vão ser nossos adversários? Terceiro: o fim da escala 6×1”.

Queremos aprovar dois projetos importantes este ano e dialogamos para isso. Um deles é o fim da escala 6×1, com redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. O segundo é garantir direitos para os trabalhadores de aplicativos.

Segurança Pública

“Estou doido para o Flávio Bolsonaro, se for candidato, falar de segurança porque daí a gente vai falar de milícia do Rio, de Adriano da Nóbrega, que teve familiar assessor no gabinete dele, de Escritório do Crime. Estamos preparados para fazer o debate. Foi Lula que teve a coragem de mandar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição). Por que os governadores de direita e o Centrão são contra o governo assumir mais responsabilidade na segurança? Eles estão dando conta sozinhos? Não me parece”.

Candidato de Bolsonaro

Questionado se Flávio Bolsonaro irá até o fim na disputa pela Presidência ou o governador Tarcísio deve entrar, Boulos afirmou que “o time da Faria Lima adora um bolsonarismo envernizado. Tudo o que eles querem é um Bolsonaro que coma de garfo e faca, que é o Tarcísio. Mas a Faria Lima não tem voto. Na direita, quem tem voto é o Bolsonaro. Então, na prática, quem o Bolsonaro indicar como candidato, será candidato.

Aprendizado

“A gente aprende mais na derrota do que na vitória. Tem gente que, depois de perder a eleição, tenta dar golpe. Um aprendizado que eu tive foi da importância de a esquerda se abrir para um diálogo franco com a nova classe trabalhadora do País. Nós precisamos aprender a dialogar com esses segmentos, não só a partir daquilo que a esquerda propõe para eles, mas a partir do que eles querem. No mundo, a esquerda lida com esse mesmo dilema. E nós temos que repensar, inclusive, a relação de resistência que se construiu entre a esquerda e o povo evangélico”.

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