Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 22 de setembro de 2026
Perícia realizada pela Polícia Federal confirmou a existência de fraudes de R$ 17,5 bilhões, estruturadas por meio de “operações fictícias ou materialmente insubsistentes”, a partir da “produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB”. Nada menos.
As revelações vieram à tona a partir da retirada do sigilo dos processos do Master pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada. A perícia da Polícia Federal atestou que o banco estatal teve participação direta na fraude e manteve os negócios mesmo após ter recebido alertas formais de extrapolação de liquidez e relatórios que questionavam a fragilidade das carteiras de crédito que adquiriu do Master em 2024 e 2025. A suspeita é a de que a Tirreno, que repassava os créditos ao Master para serem vendidos ao BRB, tenha sido aberta apenas para dar lastro a essas transações e servir de veículo para emissão e circulação de ativos.
As mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, ambos atualmente presos, mostram que Costa, nomeado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, recebeu propina de R$ 146 milhões em imóveis para executá-las. Mas atas internas do banco mostram que tudo foi feito com anuência de outros membros da diretoria, inclusive de áreas como a de Finanças e Controladoria e a de Controle e Riscos, com “trâmite frequentemente acelerado” e à revelia de pareceres jurídicos que exigiram que o Conselho de Administração fosse consultado, o que enfraquece a versão de que o BRB foi ludibriado.
Tanto o banco estatal quanto o governo do Distrito Federal continuam a reboque dos acontecimentos. A instituição financeira insiste na tese de que tudo o que ocorreu foi obra dos antigos gestores, mas foi somente nesta semana que autorizou a corregedoria a afastar cautelarmente cinco empregados citados nas investigações.
De sua parte, o governo do Distrito Federal pediu a Mendonça acesso a informações que permitam identificar recursos “subtraídos” e solicitar a restituição desses valores ao Master. Já faz pouco mais de um ano que o Banco Central (BC) rejeitou a compra do Master pelo BRB, mas foi apenas na semana passada que o governo distrital criou uma comissão especial para tentar recuperar esses ativos, negociar acordos de ressarcimento e calcular danos correspondentes.
É com base nessa atitude ambígua que a governadora Celina Leão, vice de Ibaneis, tenta se reeleger e arrancar do STF um socorro para o BRB, por meio de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – tudo com garantia da União em caso de calote e sem que o banco tenha se dignado a divulgar seu balanço para que se saiba o tamanho de seu prejuízo. Justificar essa operação de salvamento fica cada vez mais difícil. (Opinião/AE)