Domingo, 08 de Novembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de novembro de 2026
No mundo contemporâneo, as notícias e informações circulam de forma instantâneas e avassaladoras, fazendo com que a percepção da realidade se torne profundamente subjetiva.
Tem “notícias” para todos os gostos!
O fato é toda informação ou notícia publicada que escolhemos abraçar como a verídica.
Há uma forte tendência de algo ser admitido como a “ pura realidade”, pelo simples fato de que simpatizamos e concordamos previamente com o objeto em questão.
Em contrapartida, aquilo que desagrada ou ataca diretamente as convicções mais enraizadas, são tratados como narrativas e ou visões equivocadas ou até mal intencionadas pelos “contrários”.
Nessa dinâmica, quase ninguém consegue escapar por completo da cegueira da passionalidade.
Enquanto as emoções seguem na velocidade da luz, o pragmatismo por sua própria natureza caminha a passos lentos, é mais comedido e analiticamente prudente.
Em síntese:
A passionalidade nos cega, fazendo com que a ignorância ao fato tenha exatamente o tamanho da verdade que insistimos em desconhecer.
A mentira por sua vez, frequentemente é disfarçada por uma dose de hipocrisia do quanto que gostaríamos que algo fosse verdade e assim seguimos alimentando as próprias ilusões.
Com efeito, a validação dos fatos depende muito mais da nossa empatia ao que acreditamos e defendemos, do que ao interesse real e genuíno na busca e checagem rigorosa dos acontecimentos.
O mecanismo psicológico por trás disso não é simples.
Se uma informação recebida é simpática e conforta o ego do indivíduo é o bastante para a aceitação imediata e surge na mente do vitorioso:
“ – Hã-haaá ! Eu bem que desconfiava…”.
A sentença de aprovação é imediata e definitiva.
Porém, se a informação for ruim para as crenças e convicções, daí o pensamento do indivíduo e seu comportamento mudam drasticamente.
Passa a exigir uma investigação profunda para descobrir quem inventou essa maldade, duvidando ou carimbando-a prontamente como fake news.
Diante desse cenário caótico, surgem perguntas cruciais:
Afinal, onde foi parar a verdade factual?
E como a encontrar?
A resposta é dura:
A verdade absoluta desapareceu no segundo seguinte em que o fato aconteceu.
Depois que o fato se apaga no tempo, sobram para nós apenas as versões.
A verdade se explode em milhões de caquinhos espalhados, cada um de nós recolhe um pedacinho e passa a chamá-lo orgulhosamente de “a verdade”, mas é só uma minúscula parte do todo.
Por essa razão é que para se chegar minimamente mais perto da verdade original, é absolutamente fundamental que todos os indivíduos possam se expressar de maneira livre e desimpedida.
Quanto mais caquinhos forem juntados e mais versões diferentes forem compartilhadas e consideradas , mais perto estaremos de reconstruir o mosaico das realidades dos fatos.
O ambiente de pluralidade de ideias livres e a mente aberta são os caminhos para se chegar o mais perto da verdade, iluminando a nossa própria ignorância.
Rogério Pons da Silva