Quinta-feira, 09 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 9 de julho de 2026

Chegada do insumo marca retomada histórica e reposiciona o Rio Grande do Sul como potência na construção naval brasileira
O Estaleiro Rio Grande vive um momento de virada que recoloca o Rio Grande do Sul no mapa da indústria naval nacional. Nesta quinta-feira (9), o complexo recebeu 11 mil toneladas de aço vindas da Indonésia, destinadas à construção dos quatro navios do tipo Handymax, contratados pela Transpetro dentro do Programa Mar Aberto, voltado à renovação e ampliação da frota própria do Sistema Petrobras.
O aço será processado para formar os cascos das embarcações, que terão entre 15 mil e 18 mil toneladas de porte bruto (TPB) e serão empregadas no transporte de derivados claros de petróleo — diesel marítimo, diesel S10, diesel S500 e gasolina de aviação — ao longo da costa brasileira. O início do processamento, em abril, já mobiliza cerca de 500 profissionais, número que deve crescer gradualmente até alcançar 5 mil empregos diretos e indiretos com o avanço das obras.
Mais de 50% dos equipamentos necessários para os Handymax já foram adquiridos e chegarão conforme o cronograma acordado com a Transpetro. O desembarque do aço foi acompanhado por representantes da estatal, que inspecionaram o parque industrial e alinharam os próximos passos do projeto.
“É um marco importante para a construção, que segue avançando de maneira consistente para estes primeiros quatro navios. Somado aos outros contratos com a Transpetro, o Estaleiro da Ecovix terá cada vez mais movimento e um maior volume de contratações”, destacou Robson Passos, CEO da Ecovix.
O estaleiro, considerado o maior da América Latina, retoma protagonismo após anos de instabilidade. Os contratos com a Transpetro incluem 13 embarcações — quatro Handymax, cinco navios-tanque pressurizados para transporte de GLP e derivados, e quatro da classe MR1 (Medium Range) — com investimentos superiores a US$ 690 milhões.
A movimentação de aço e equipamentos impulsiona cadeias produtivas locais, como metalurgia, logística, comércio e serviços. Estimativas apontam que o pico de contratações diretas pode chegar a 1,4 mil trabalhadores entre 2026 e 2027, com efeito multiplicador sobre a economia regional.
A retomada da construção naval fortalece a cabotagem, reduz custos logísticos e amplia a autonomia da frota nacional. Especialistas do setor portuário destacam que o Rio Grande do Sul pode se consolidar como hub logístico e industrial da América Latina, aproveitando sua infraestrutura e posição estratégica.
Com a chegada das 11 mil toneladas de aço e o avanço das obras, o Estaleiro Rio Grande reafirma sua relevância estratégica para o Brasil. A combinação de tecnologia, mão de obra especializada e contratos de longo prazo projeta um futuro de estabilidade e crescimento, consolidando o RS como protagonista na construção naval e na logística marítima nacional.(Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)