Sábado, 25 de Abril de 2026

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A campanha eleitoral é oportunidade imperdível para saber das falácias que nos consomem há anos.

Por exemplo, nunca espere de um candidato que ele defenda com muita ênfase a austeridade nos gastos, porque se assim for, o compromisso não fecha com as promessas comuns e grandiosas de programas, realizações e obras.

Então que ninguém peça a Lula para que ele seja contido nos gastos neste ano da graça de 2026, ano de eleição. Ninguém peça a um candidato das oposições que se ocupe do assunto indigesto, que não seja para criticar o governo, para bater duro no descontrole das contas públicas. Darão a entender que com eles será diferente, mas se vencerem, incidirão na mesma gastança e nas mesmas práticas perdulárias.

Lula, por exemplo, em certo momento de empolgação disse que os brasileiros estão endividados porque gastam demais. E depois, endividados, botam a culpa no governo. Talvez não seja coisa para se dizer, mas sejamos francos é a verdade mais pura.

É, em outra dimensão, a mesma coisa que a discussão da redução de jornada de trabalho, o pretendido fim do sistema 6×1. A verdade é que se a proposta for levada ao plenário este ano ela tem todas as chances de ser aprovada – ainda que todos saibam que não atingimos ainda um patamar de riqueza e renda capaz de suportar a benesse. Chega a ser engraçado como os defensores da medida se desdobram para demonstrar que a redução vai aumentar a produtividade.

Aumentar a produtividade significa aumentar a riqueza do país. Então a turma da redução quer nos convencer que uma vez implementada, o Brasil ficará mais rico, aumentará a renda nacional.

Também faz parte desses mitos, as teorias de distribuição da renda e da riqueza, partindo da premissa verdadeira de que elas estão cada vez mais concentrada nas mãos dos mais ricos. Mas quando Delfim Neto, lá atrás, disse que seria preciso primeiro crescer o bolo para depois distribuir, nunca o perdoaram.

Delfim, que era bem-humorado, sempre respondeu mais ou menos o seguinte: “meus queridos, não se distribui aquilo que ainda não existe”. Aliás, é esta a crítica mais relevante e mais substantiva ao fim da jornada 6×1: Queremos benefícios de países ricos sendo ainda um país pobre. A jornada de trabalho é reduzida em países que deram duro durante longos anos depois na II Guerra, como na Europa rica e desenvolvida, no Japão, na China de hoje.

Outra falácia exposta todos os dias nos jornais, é a que assegura que as taxas de juros são tiradas do bolso do colete de banqueiros e rentistas. Sabem, mas não dizem, que o que faz a Selic de 14% é (principalmente) o gasto público: Para cobrir o rombo todos os meses o governo tem de ir todos os dias ao mercado para financiar a dívida crescente.

Dívida que não se vislumbra de que forma será honrada, e em que o devedor (o Estado) finge que não é com ele e nada faz para abatê-la, e até ecoa as críticas contra os juros elevados.

Enfim, em um sem-número de situações neste país instigante que é o Brasil, parece que todos ignoram regras básicas da economia, e que causas iguais dão lugar a consequências iguais. E que as consequências vêm depois.

(titoguarniere@terra.com.br)

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