Sexta-feira, 03 de Julho de 2026

Home em foco Flávio Bolsonaro propõe aos Estados Unidos barrar conexão do Pix com sistemas “não ocidentais”

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Em uma manifestação ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que sanções ao Pix “prejudicam investimentos dos EUA” e fez um “compromisso legislativo” de que o meio de pagamento não será conectado a “arranjos de liquidação transfronteiriços não ocidentais”.

“Caminhos para a Solução. O sinal decisivo — um compromisso legislativo de que o Pix não será interconectado a arranjos de liquidação transfronteiriça não ocidentais […] Instrumentos de pagamento privados — cartões de crédito e débito e outros tipos de empresas — oferecem funções que o Pix não substitui, incluindo crédito ao consumidor, financiamento, proteção contra disputas e mecanismos de estorno”, disse Flávio.

O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA. Ele conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas.

“Uma sanção ou tarifa é a medida errada: não altera a arquitetura do sistema de pagamentos e prejudica o investimento dos EUA”, afirmou Flávio. No documento, encaminhado nesta semana, ele colocou ainda o Pix como um dos marcos da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e disse que as alegações de conflitos de interesse feitas pelo governo de Donald Trump são “exageradas”.

O senador citou que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) também opera um sistema de pagamentos instantâneos, chamado de FedNow.

“O Pix é uma infraestrutura pública soberana de pagamentos, não uma empresa comercial concorrente; a teoria de conflito de interesses é exagerada, visto que o Federal Reserve dos EUA é, da mesma forma, regulador e operador de um sistema de pagamentos instantâneos (FedNow); o volume de transações com cartões dos EUA no Brasil continuou a crescer paralelamente ao Pix; e a formalização de dezenas de milhões de brasileiros expandiu o mercado consumidor para empresas dos EUA — no comércio eletrônico, em plataformas e fintechs — em um país onde os Estados Unidos lideram o investimento estrangeiro direto”, afirmou o senador.

No documento de 86 páginas, o senador pediu o adiamento, por 180 dias, da aplicação, por parte do governo norte-americano, de novas tarifas contra exportações brasileiras. Flávio solicitou, portanto, um adiamento das taxas de 25% para depois das eleições presidenciais no Brasil.

O pré-candidato à Presidência disse ainda que o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos anteriormente não surtiu efeitos positivos e não mudou o comportamento das autoridades brasileiras.

Para o senador, as investidas tarifárias de Trump contra o Brasil tem, ao contrário, fortalecido politicamente, em um ano eleitoral, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem enquadrado as ações no campo econômico como ataques à soberania nacional.

“As tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que tem adotado: obstruir negociações sérias, provocar retaliações e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna. Pior ainda, os custos recairiam sobre a economia americana e sobre os brasileiros mais comprometidos com o relacionamento construtivo com os EUA”, afirmou o senador.

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