Terça-feira, 13 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de outubro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) têm estratégias diferentes para os debates do segundo turno. Enquanto o petista pretende comparecer aos eventos para tentar reverter o resultado desfavorável do primeiro turno, o bolsonarista mantém a promessa de participar, mas condiciona sua presença às regras definidas pelas emissoras, sem interferência de decisões judiciais, como ocorreu no debate da TV Globo no primeiro turno, posteriormente cancelado.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 2,2 milhões de votos. Pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira (8), apontou vantagem do senador no segundo turno: 52% contra 48% dos votos válidos.
A Band e o Estadão marcaram o debate presidencial para 18 de outubro, às 20h. O encontro ocorrerá uma semana antes da votação. O debate da TV Record, inicialmente previsto para domingo (11), foi cancelado. O último confronto deve ocorrer na TV Globo.
As campanhas pretendem seguir estratégias distintas. O PT quer desconstruir a imagem do adversário, enquanto o PL defende “menos lacração e mais propostas” para evitar erros do candidato.
A estratégia de Lula é combinar a divulgação de ações do governo com críticas a Flávio. Entre os temas previstos estão medidas para melhorar o custo de vida, o envolvimento do senador no caso do Banco Master e suas supostas ligações com milicianos do Rio de Janeiro.
Aliados afirmam que Lula mantém a preparação habitual e destacam sua experiência em debates, iniciada em 1989. Segundo eles, o presidente participará de “qualquer debate que seja”. Após terminar o primeiro turno atrás de Flávio, Lula busca maior exposição para conquistar votos. Na primeira etapa da eleição, evitou os confrontos.
A equipe de Flávio, por sua vez, prepara o senador com estudos sobre propostas, problemas do governo Lula e simulações de perguntas difíceis. Para os debates do primeiro turno aos quais pretendia comparecer, ele fez treinamento com um jornalista de direita de Brasília e com o marqueteiro Duda Lima.
Aliados afirmam que o senador não deve “fazer nada diferente do que fez na sabatina da TV Globo”. A campanha pretende apresentá-lo como um “Bolsonaro moderado” e usar os debates para conquistar eleitores indecisos e pessoas que não votaram no primeiro turno, incentivando a participação na votação de 25 de outubro.
Nos bastidores, integrantes da campanha avaliam que a comparação entre Flávio, de 45 anos, e Lula pode favorecer o discurso de renovação. Outra preocupação é a possibilidade de mudanças nas regras dos debates por decisões judiciais, como ocorreu no primeiro turno. Na ocasião, determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) levaram à inclusão dos candidatos Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) no encontro da TV Globo.
Enquanto isso, o PL orienta aliados a intensificar a campanha nos Estados até o segundo turno. As recomendações incluem manter estruturas de comunicação e carros de som, além de organizar comícios, carreatas e produzir materiais eleitorais por meio dos diretórios estaduais.
O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e Duda Lima recomendaram que os aliados realizem atos mesmo sem a presença de Flávio. A orientação é concentrar os discursos em temas como poder de compra, custo de vida e segurança pública.
Durante reunião na sede do partido, Duda Lima pediu que os participantes acompanhem os preços nos supermercados e conversem com consumidores sobre as dificuldades para fazer compras. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), reeleito com mais de 3 milhões de votos, também recomendou que os aliados conheçam as principais propostas do plano de governo de Flávio para apresentá-las aos eleitores indecisos. (Com informações de O Estado de S. Paulo)