Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de outubro de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recuou da autoproclamação como presidente eleito do Brasil após receber alertas jurídicos e ser aconselhado por integrantes da cúpula do PL a retirar a expressão de uma carta divulgada na quarta-feira (28), já nos Estados Unidos. O parlamentar viajou ao país após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A primeira versão do documento provocou preocupação entre integrantes da campanha e dirigentes partidários, que procuraram Flávio para alertá-lo sobre possíveis consequências jurídicas e políticas da declaração. Pessoas ligadas à sua defesa avaliaram inicialmente que a autoproclamação não representava a posição do senador e recomendaram a retirada do trecho para evitar questionamentos judiciais.
A avaliação transmitida a Flávio foi de que ele pretendia se apresentar como liderança política no exterior, e não como vencedor da eleição presidencial. A expressão utilizada, porém, poderia gerar interpretações equivocadas e até implicações legais.
A cúpula do PL também demonstrou resistência ao conteúdo. Inicialmente, dirigentes tiveram dúvidas sobre a autoria da carta, mas confirmaram o aval do senador após a publicação nas redes sociais. Em seguida, entraram em contato com ele e recomendaram a substituição da expressão “presidente eleito”, diante do desgaste político que poderia provocar.
Outro motivo de preocupação foi o impacto da declaração sobre as bancadas do partido no Congresso. Parlamentares avaliaram que não poderiam acompanhar Flávio em questionamentos à legitimidade da eleição, uma vez que se preparavam para exercer a oposição ao próximo governo Lula. A insistência na autoproclamação poderia provocar distanciamento público de deputados e senadores e ampliar o isolamento do senador dentro da própria legenda.
O descontentamento veio a público na quarta, quando o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, classificou a expressão “presidente eleito” como um “erro de confecção”. Ele também afirmou que não havia provas de fraude eleitoral que justificassem a contestação do resultado.
Ao comentar a alteração, Marinho minimizou o episódio e destacou que a versão corrigida apresentava Flávio como liderança política.
“Acredito que deve ter havido algum problema na confecção da carta. O fato é o que está na sua manifestação oficial, ele se autodenomina como líder, o que é um fato. Ele é um líder do Brasil”, afirmou.
Nessa quinta (29), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também criticou o documento. Antes de visitar Jair Bolsonaro, em Brasília, declarou que não havia gostado da carta. Após o encontro, que durou cerca de duas horas, voltou a reprovar a manifestação.
“Lógico que ninguém concorda com isso. Queremos tocar o país e o partido para frente. Ninguém aprova isso. Ninguém quer ter problema. Flávio passou por uma situação difícil. Nós compreendemos, mas não aprovamos”, afirmou.
Valdemar disse que não conversou com Jair Bolsonaro sobre a carta e que os dois trataram do resultado eleitoral. As declarações de Marinho e do presidente do PL evidenciaram a resistência de dirigentes à estratégia adotada por Flávio nos Estados Unidos. A legenda havia reconhecido oficialmente a vitória de Lula no segundo turno no dia seguinte à eleição.
O episódio ocorre durante as articulações para reorganizar a direita após a derrota eleitoral. Integrantes do PL defendiam que Flávio reconhecesse o resultado das urnas e assumisse a liderança da oposição. A decisão de deixar o Brasil já havia surpreendido integrantes do partido, que não foram previamente informados sobre a viagem.
Carta
O documento foi divulgado três dias após a derrota de Flávio para Lula no segundo turno, por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. Na primeira versão, o senador se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar do resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, dizia o texto original.
Na versão revisada, a expressão foi substituída por “líder do Brasil”. As duas versões, entretanto, mantiveram acusações de fraude eleitoral sem apresentação de provas e questionamentos à legitimidade da vitória de Lula.
Na carta, Flávio também agradeceu aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, pelo acolhimento após sua saída do Brasil. O senador desembarcou em Miami na manhã de quarta-feira (28) e anunciou a intenção de liderar a oposição ao governo petista a partir do exterior. (Com informações do jornal O Globo)