Segunda-feira, 27 de Maio de 2024

Home em foco Fraude no futebol: grupo planejava ganhar R$ 1 milhão em dois dias

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Em áudios, acusados de envolvimento no esquema de manipulação de resultados de jogos de futebol indicam que o grupo planejava ganhar o valor de R$ 1,5 milhão em um final de semana. A mensagem de áudio foi encaminhada por Bruno Lopez em um grupo de WhatsApp.

“Se a gente trabalhar com dois dá pra fazer pelo menos um milhãozinho, um milhãozinho e meio. Paga cem mil pros cara, nóis conta um milhão. Um milhão no final e semana”, se ouvia no áudio.

Em nota, o advogado Ralph Fraga, que representa Bruno Lopez, afirmou que vai se posicionar sobre as acusações formal e processualmente no momento oportuno.

Os grupos de aplicativos de mensagem eram utilizados pelos acusados como forma de planejar as estratégias utilizadas para não chamar atenção das casas de apostas para as fraudes e combinar os esquemas. Segundo o Ministério Público de Goiás, em uma outra conversa, o suposto chefe do esquema comenta com Thiago Chambó, também denunciado pela manipulação dos jogos, sobre a possibilidade de obter R$ 2 milhões de reais em um esquema com seis jogadores. Nas mensagens não fica claro como os membros do suposto esquema iriam obter tais valores.

“Era operação com seis jogadores, pra bater dois milhão”, disse Bruno.
Imagens encontradas na galeria do celular de Romário Hugo dos Santos, conhecido como Romarinho, também denunciado pelo esquema, mostram diversas fotos com boladas de dinheiro. Em algumas conversas com pessoas sobre o esquema, imagens desse dinheiro também eram enviadas, referente a pagamentos que seriam realizados.

Para aumentar a quantia de dinheiro faturado, uma das estratégias adotadas pelo grupo era a de gerir as apostas com robôs – ferramentas de inteligência artificial treinadas para realizar tarefas. Com isso, eles garantiam várias apostas simultâneas com o mesmo conjunto de lances reduzindo o risco de identificação da fraude.

Em média, o valor de retorno de cada conta era de R$ 500. Os valores somados das apostas das contas chegavam até a R$ 300 mil por jogo. O uso de robôs, no entanto, fazia com que os denunciados conseguissem entrar em até 35 contas ao mesmo tempo para a realização de apostas.

Atuação em núcleos

Segundo o MPGO, o grupo criminoso cooptava jogadores com ofertas que variavam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil para que cometessem lances específicos nos jogos – como um número determinado de faltas, levar cartão amarelo, garantir um número específico de escanteios para um dos lados e até atuar para a derrota do próprio time. Diante dos resultados previamente combinados, os apostadores obtinham lucros altos em diversos sites de apostas.

Segundo o Ministério Público, o esquema era dividido em quatro núcleos: de apostadores, financiadores, intermediadores e administrativo.

Os núcleos funcionavam da seguinte forma: o “Núcleo Apostadores” era formado por responsáveis por contatar e aliciar jogadores para participação no esquema delitivo. Eles também faziam pagamentos aos jogadores e promoviam apostas nos sites esportivos.

Também havia o “Núcleo Financiadores”. Eles eram os responsáveis por assegurar a existência de verbas para o pagamento dos jogadores aliciados e também nas apostas manipuladas.

Além disso, havia o “Núcleo Intermediadores”. Estes eram responsáveis por indicar contatos e facilitar a aproximação entre apostadores e atletas aptos a promover a manipulação dos eventos esportivos.

Também havia o “Núcleo Administrativo”, que era responsável por fazer as transferências financeiras a integrantes da organização criminosa e também em benefício de jogadores cooptados.

Operação

A Operação Penalidade Máxima já fez buscas e apreensões nos endereços dos envolvidos. As investigações começaram no final de 2022, quando o volante Romário, do Vila Nova-GO, aceitou uma oferta de R$ 150 mil para cometer um pênalti no jogo contra o Sport, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Romário recebeu um sinal de R$ 10 mil, e só teria os outros R$ 140 mil após a partida, com o pênalti cometido. À época, o presidente do Vila Nova-GO, Hugo Jorge Bravo, que também é policial militar, investigou o caso e entregou as provas ao MPGO.

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