Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de agosto de 2026
O número de adolescentes com 16 ou 17 anos que se registraram junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estão aptos a votar no pleito de outubro caiu 23% em comparação ao último pleito presidencial. Se em 2022 eles eram 2,1 milhões no País, agora totalizam 1,6 milhão. A queda é superior à variação populacional dessa faixa etária no mesmo período (-5,6%) conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O 1,6 milhão de adolescentes representa 1% do eleitorado deste ano. Em 2022, os jovens que votavam sem serem obrigados representavam 1,4% dos eleitores. O percentual é pequeno, mas pode ser decisivo -nas últimas eleições, Lula (PT) venceu Jair Bolsonaro (PL) por margem apertada de 1,8% dos votos válidos.
Após uma adesão recorde no pleito passado, as mulheres puxaram a queda entre os eleitores adolescentes, é 26% menor que o de 2022. Já a queda masculina foi de 19%.
A diminuição ocorre em um momento no qual o voto de homens jovens tende cada vez mais para candidatos da direita com perfil conservador, enquanto o voto feminino tem ido para candidatos de esquerda com propostas progressistas.
Engajar adolescentes no exercício do voto quando ele não é obrigatório tem sido um desafio. Em 2010, início dessa série histórica do TSE, 34% da população com 16 e 17 anos estava com título em mãos. O percentual caiu nas eleições gerais seguintes: para 24%, em 2014, e 21%, em 2018.
Em 2022, artistas como Anitta -hoje com mais de 61 milhões de seguidores no Instagram- e Juliette, promoveram uma campanha digital para incentivar adolescentes a emitir o documento antes do prazo final, aumentando, novamente, o patamar para 34%.
Dos 2,1 milhões de eleitores aptos de 16 e 17 anos em 2022, 55% eram mulheres. Agora, a participação feminina caiu para 52%, valor mais próximo ao verificado em 2018 (51%).
Uma projeção divulgada em maio pelo Instituto Lamparina e o movimento Girl Up já apontava para queda do voto facultativo de jovens devido à baixa nas solicitações de novos títulos.
Motivos
Para Letícia Bahia, codiretora executiva da Girl Up Brasil, iniciativa voltada à promoção da igualdade de gênero, dois fatores ajudam a explicar a queda: o arrefecimento das campanhas específicas e a volta da obrigatoriedade da coleta presencial de biometria para a emissão do título. Em 2022, devido à pandemia, o pedido podia ser feito todo digitalmente.
“A gente sonhava que 2022 tivesse aberto uma porteira para caminhar só para frente, mas, quando a sociedade civil começou a olhar para o voto jovem de 2026, os prazos já tinham corrido. A obrigatoriedade do comparecimento presencial é uma barreira muito grande. Muitos municípios pequenos não têm cartório eleitoral próprio”, afirma.
Procurado sobre as dificuldades que a obrigatoriedade da biometria impõe aos novos eleitores facultativos, o TSE não respondeu.
Na avaliação da codiretora do Girl Up Brasil, o movimento observado em 2022 foi bem-sucedido porque conseguiu falar diretamente com o público jovem.
“Foi a primeira vez que o chamado para o alistamento saiu do tom solene, encabeçado fundamentalmente pelo TSE, entidade que tem pouca interlocução direta com o jovem. A coisa ganhou as redes sociais, e o pedido, em vez de ser ‘do velho para o jovem’, ficou horizontal. A gente viu marketing de influência, memes. Foi o que nos levou ao recorde. E nada disso aconteceu neste ano”, diz.
Conquista histórica
Os adolescentes de 16 e 17 anos podem votar no Brasil desde 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal vigente. A medida havia sido aprovada pelos deputados constituintes meses antes, após forte mobilização de movimentos estudantis. Os adolescentes exerceram esse direito pela primeira vez nas eleições presidenciais de 1989.
Mas o alistamento eleitoral e o voto para os cidadãos dessa faixa etária não são obrigatórios. Pelas regras atuais do TSE, quem tem 15 anos já pode solicitar o primeiro título de eleitor, embora só esteja apto a votar se completar 16 anos até o dia de ir às urnas. (com informações da Folha de S.Paulo)